Nubank ‘acha’ 9 mil m² para escritório em BH, a cidade sem espaço

Está difícil encontrar espaço para novos escritórios em Belo Horizonte – mas o Nubank conseguiu.
O banco de David Vélez será o único inquilino do Terraço Jardim, um prédio boutique de 9 mil metros quadrados no Belvedere, bairro de alta renda da cidade.
O projeto da incorporadora Concreto ainda está em construção e deve ser entregue este ano.
Ao lado de São Paulo e Curitiba, BH tem sido uma das capitais mais críticas para se conseguir escritório para grandes empresas, uma vez que a nova oferta tem crescido em ritmo mais lento que a demanda provocada pelo retorno das companhias ao presencial.

A CBRE estima que o estoque da cidade deve avançar apenas 1,2% no ano. Em 2015, crescia mais de 5%.
A maior dificuldade em BH – assim como em São Paulo – é encontrar escritórios com tamanho próximo a 10 mil m² ou mais. A saída tem sido demandar projetos de built-to-suit ou esperar novos prédios ficarem prontos, como fez o Nubank.
Tanto que a taxa de vacância está em 2,5% para imóveis Classe A+, bem abaixo do nível do Rio (23,3% para A/A+ e 31,7% para AAA), onde o mercado corporativo é maior, ainda segundo a CBRE.
“É uma taxa extremamente baixa para qualquer mercado, e deve trazer uma valorização dos aluguéis dos escritórios de melhor padrão nas regiões mais consolidadas,” Danilo Ferrari, o vice-presidente de capital markets da consultoria no Brasil, disse ao Metro Quadrado.
O bairro escolhido pelo banco – o Belvedere – não está entre os endereços mais óbvios da cidade para escritórios (que seriam Savassi, Lourdes e Funcionários), mas está se beneficiando da escassez de terrenos nas áreas mais tradicionais.
No bairro, o preço médio do metro quadrado para locação varia dependendo da quadra onde o imóvel está.
Nas vias mais cobiçadas, o metro quadrado é negociado entre R$ 180 e R$ 220.
Nas áreas menos nobres do bairro, os valores variam de R$ 120 a R$ 180, segundo players do mercado local.
Já na região onde está o Terraço Jardim, o valor pedido pelos proprietários gira em torno de R$ 160 por m², apurou o Metro Quadrado.
Hoje um bairro de vocação mista, abrigando de lojas de luxo a restaurantes, até pouco tempo atrás o Belvedere era uma zona estritamente residencial.
A mudança só foi possível após atualizações no Plano Diretor de BH, que passaram a permitir o uso do solo para projetos comerciais.
Isso atraiu varejistas em busca de retrofit de casas, projetos de street malls e também a chegada das lajes corporativas, como o Terraço Jardim.
“O boom de atratividade do bairro começou nos últimos dois ou três anos, logo após o aumento do coeficiente de aproveitamento dos terrenos e os ajustes na lei de uso e ocupação do solo,” disse Marcelo da Costa Borges, o diretor corporativo da consultoria GPO Netimóveis, de BH.
O prédio do Nubank será um Triple A com áreas de convivência, auditório e estações de trabalho para acomodar os quase 500 funcionários do banco na cidade, como parte do seu plano de ampliar os dias de presencial oferecendo espaço a quem não está em São Paulo.
A companhia pretende investir R$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos para a sua expansão de escritórios no Brasil.
Além de ampliar a sua operação na capital paulista, o Nubank também fechou locações nos últimos meses no Rio, com quase 7 mil m² no Vista Mauá, e em Campinas, com 9,1 mil m² no Bresco Viracopos, da Bresco.
O banco disse ainda que escolheu o prédio de BH “por sua infraestrutura moderna e capacidade de escala, permitindo acompanhar a expansão do Nubank na região.”







