Os escritórios de Washington estão vazios — e virando moradia

Enquanto metrópoles como São Paulo estão demandando mais escritórios para dar conta do retorno das empresas ao presencial, Washington DC ainda vive um cenário de vacância elevada no pós-pandemia.
Como boa parte dos espaços é ocupada pelo setor público americano, que está voltando em ritmo mais lento, o nível de vacância segue longe de voltar ao pré-pandemia. A taxa em 2025 foi 22,8%, contra 14,8% em 2019, segundo a Cushman & Wakefield.
A saída tem sido converter parte dos prédios corporativos em novos projetos residenciais.
A capital dos Estados Unidos se transformou num dos mais aquecidos mercados para conversão do país, com 6,5 mil unidades residenciais no pipeline, abaixo apenas do volume de Nova York, reportou o The Wall Street Journal.
Com os preços dos imóveis comerciais em queda pela falta de demanda, os projetos que antes não fechavam a conta passaram a ser viáveis para os incorporadores do segmento residencial, que também estão se valendo de incentivos fiscais e financeiros da prefeitura.
Um exemplo é o abatimento do property tax por até 20 anos para prédios convertidos.
Washington também passou a permitir que esses incentivos sejam combinados com os dos projetos voltados para famílias de renda mais baixa, abrindo espaço para iniciativas no Centro.
Na região de Dupont Circle – próxima da Casa Branca –, dois prédios de escritórios devem dar lugar a 530 apartamentos. O projeto tem investimento de US$ 750 milhões e será a maior conversão da cidade.
Nos EUA, as conversões também têm acontecido com força em Manhattan, Chicago, Dallas e Los Angeles, mas Washington saiu na frente por concentrar um estoque relevante de edifícios mais antigos, construídos antes do padrão dos grandes escritórios envidraçados, o que facilita a adaptação para residencial.
Por outro lado, mesmo quando o imóvel é elegível do ponto de vista físico, o financiamento segue sendo o maior entrave para um avanço maior desse mercado.
Os bancos tradicionais ainda mostram resistência em financiar conversões, diante da incerteza sobre custos, prazos e retorno — especialmente em um ambiente de juros mais altos nos Estados Unidos.
O projeto de Dupont Circle, por exemplo, só avançou porque o financiamento foi estruturado fora do crédito bancário, por investidores privados.







