Vai cair a entrega de novos shoppings. Faltam dinheiro e espaço

Vai cair a entrega de novos shoppings. Faltam dinheiro e espaço
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O ritmo de inaugurações de shopping centers no Brasil deve perder fôlego nos próximos anos.

O setor caminha para uma média de quatro a seis novos shoppings por ano pelos próximos dez anos, prevê Glauco Humai, o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

02 04 Glauco Humai ok.jpgNos últimos cinco anos, a média foi de 11 shoppings por ano. Em 2025, a previsão era de 17 novos empreendimentos, mas apenas 10 foram entregues. 

A perda de ritmo passa por três fatores que já vêm moldando o setor: o crédito caro, o alto custo de construção e a falta de espaço nas grandes capitais. 

“Os grupos grandes preferem fazer uma expansão, adquirir um outro shopping que já existe. Temos visto que shoppings inaugurados são de grupos menores, em tamanho menor, não dominantes,” disse Glauco.

Para ele, é no interior do País onde há espaço para novos projetos, em especial nos municípios que nunca foram explorados ou que já têm um primeiro shopping e estão amadurecendo. 

Nas cidades menores, porém, os shoppings enfrentam a concorrência das lojas de rua, que ainda são culturalmente fortes para consumo e limitaram o desempenho de projetos lançados em ciclos anteriores.

Hoje, 58% dos shoppings do Brasil estão fora das capitais.

Em Sorocaba, alguns shoppings chegaram a abrir e fechar poucos anos depois, enquanto outros tiveram as obras paralisadas e nunca entraram em operação. 

Para 2026, a Abrasce espera que o País inaugure 11 shoppings, em que sete são projetos atrasados de anos anteriores. O número pode ser ainda menor dado que, historicamente, só cerca de 60% do que está previsto é realmente entregue.

A expectativa de faturamento do setor para 2026 é tímida, de apenas 1,4%, no mesmo ritmo do ano passado, de 1,2%, considerando que o cenário macroeconômico segue adverso.

Embora o desemprego esteja baixo e a isenção do IR possa impulsionar o consumo de quem ganha até R$ 5 mil, a taxa básica de juros seguirá elevada – em dois dígitos – mesmo com o início do ciclo de queda.

E ainda que seja ano de Copa do Mundo, um período tradicionalmente positivo para o varejo, Humai diz que as incertezas relacionadas à eleição geram uma cautela com os números.

“Se não fosse por isso, a expectativa de crescimento seria maior,” disse ele. 

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