Vila Galé prepara R$ 1 bi de novos hotéis no Brasil

O Vila Galé — a rede portuguesa com 13 empreendimentos no País — vai investir cerca de R$ 1 bi para abrir seis novos hotéis em destinos já definidos.
Os seis novos projetos serão instalados em Florianópolis, Brumadinho, São Luís e Coruripe – as duas últimas cidades receberão dois novos hotéis cada.
Enquanto isso, a rede também tem olhado para Gramado como um possível destino.
“Gramado é um destino turístico interessante do Brasil, porque funciona, tem vários eventos e não tem muitos hotéis. Os que existem são de pequena dimensão,” Gonçalo Rebelo de Almeida, o administrador do grupo e filho do fundador, disse ao Metro Quadrado.
A nova leva de projetos vem num momento em que a hotelaria brasileira voltou ao radar de operadores e investidores internacionais.
A própria Gramado já tem atraído novos projetos, como o hotel que está sendo construído pelo grupo Sirena, com inauguração prevista para julho de 2027.
E a cerca de 15 minutos dali, em Canela, a alemã Kempinski também prepara a abertura de um empreendimento, com a primeira fase prevista para fevereiro do próximo ano.
Nos últimos anos, o mercado de hotéis de alto padrão no Brasil passou a registrar aumento de ocupação e de diárias, impulsionado pela retomada do turismo no pós-pandemia.
Mesmo assim, o Brasil ainda é pouco penetrado por grandes redes. Apenas 6% dos hotéis operam sob bandeiras internacionais, segundo a CBRE, enquanto a maior parte do mercado segue nas mãos de empreendimentos independentes.
Marcas como Mandarin Oriental, Bulgari e Waldorf Astoria estão estudando abrir hotéis no Brasil, enquanto outras redes, como Faena e Four Seasons, já estão tocando novos projetos no País — e grupos já presentes, como a Marriott, ampliam sua atuação.
Fundado em 1986, em Portugal, o Vila Galé nasceu no Algarve, região turística no sul do país, e cresceu primeiro com resorts de praia antes de avançar para cidades como Lisboa e Porto.
A chegada ao Brasil ocorreu no início dos anos 2000, com a conversão de um prédio inacabado em Fortaleza no primeiro hotel da rede fora da Europa.
Hoje, a operação brasileira é um dos principais motores de crescimento do grupo.
O Vila Galé tem 32 hotéis em Portugal, mais que o dobro dos atuais 13 no Brasil.
Em faturamento, a operação brasileira ainda fica atrás da portuguesa, mas a diferença vem encolhendo.
A empresa fez mais de R$ 800 milhões no Brasil em 2025, com crescimento de cerca de 20% em relação ao ano anterior.
Em Portugal, o avanço foi de pouco mais de 7%, com faturamento em torno de € 250 milhões (aproximadamente R$ 1,5 bi).
“O faturamento agora é 60-40 entre Portugal e Brasil. Já está relativamente próximo,” disse Gonçalo.
Os seis hotéis em desenvolvimento avançam ao mesmo tempo, mas em ritmos diferentes. A estratégia combina retrofit e greenfield.
Parte dos projetos já iniciou obras, enquanto outros ainda passam pelas etapas de aprovação.
São Luís, por exemplo, vai envolver a recuperação de edifícios históricos no centro da cidade. Já destinos como Coruripe e Florianópolis devem receber projetos construídos do zero.
Nos últimos anos, a rede passou a explorar com mais frequência a conversão de imóveis existentes — como em seus hotéis no Rio de Janeiro, São Paulo e Ouro Preto.
“Achamos que o Brasil ainda tem muito para crescer. Não só no litoral e na praia, mas também no interior, mais cultural, mais ligado ao patrimônio, à história, à natureza,” disse Gonçalo.







