Gestora busca alfa em crédito imobiliário nos EUA e condomínios atrasados

Gestora busca alfa em crédito imobiliário nos EUA e condomínios atrasados
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Com a tese de que não dá para depender dos ciclos de mercado para gerar retorno, a ARZ Capital – que nasceu como uma distribuidora de fundos em 2024 – decidiu montar uma gestora para estruturar produtos próprios.

Parte deles, no mercado imobiliário.

Um dos fundos da casa é o ARZ Confidas Dwight Real Estate Credit, o veículo brasileiro de um produto da gestora americana Dwight, especializada em estruturar financiamentos de imóveis.

O fundo investe em títulos de crédito que financiam incorporadoras em operações de curto prazo para término de obra e a chamada “estabilização” (quando o imóvel começa a ser ocupado) – especialmente nos segmentos de multifamily e senior housing

Em alguns casos, o modelo é “bridge-to-HUD”, empréstimo-ponte contratado enquanto a incorporadora aguarda um financiamento de longo prazo do Department of Housing and Urban Development (HUD).

“Fazemos parcerias com casas que são capazes de encontrar ativos de qualidade que negociam abaixo do valor justo por conta da escassez de capital,” Frederico Maluf, o fundador da ARZ, disse ao Metro Quadrado

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O objetivo é gerar retorno aos investidores financiando empresas com capacidade de entrega. 

Esse fundo – que é fechado e tem prazo de resgate de quatro anos – foi distribuído pela XP e captou R$ 240 milhões em janeiro. 

Seguindo a mesma lógica, no ano passado, a gestora captou R$ 400 milhões com o fundo ARZ Alpine Bain Capital Private Credit, veículo brasileiro de um produto da Bain Capital. 

O fundo investe em BDCs, empresas que financiam empresas pequenas e médias companhias nos EUA. Para tentar escapar do oba-oba que tomou conta desse mercado, o foco são negócios com EBITDA entre US$ 25 milhões e US$ 75 milhões.

“É um segmento em que há menos concorrência, então é possível selecionar melhor as empresas e exigir mais garantias,” disse Maluf, que foi sócio e head do private B2B da XP antes de fundar a ARZ. 

Ao todo, a casa tem R$ 1 bilhão sob gestão, incluindo investimentos estruturados diretamente com investidores. 

Neste ano, planeja lançar fundos com ativos brasileiros. Comprou recentemente uma originadora de créditos lastreados em dívidas de condomínios para estruturar um fundo comprando essas dívidas com desconto. 

Também pretende montar produtos semelhantes ligados a consórcios e saque-aniversário do FGTS, em que a gestora antecipa os valores a receber nas duas situações e ganha um spread até a data do pagamento.

“É muito difícil operar mercados líquidos, com acesso às mesmas informações que todo mundo, e obter retornos superiores à média de forma consistente. Buscamos outro diferencial,” disse Maluf.

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