JP Morgan vê Cyrela mais contida em lançamentos

A Cyrela não publica guidance de lançamentos, mas o JP Morgan acredita que a incorporadora vai pisar no freio em 2026.
Ao considerar que as vendas no mercado de médio/aldo padrão estão desacelerando e que o ritmo de queda da Selic será menor do que se imaginava, o banco estima que a companhia vai lançar R$ 12,5 bilhões de VGV no ano, uma redução de cerca de R$ 500 milhões em relação aos R$ 13 bi de 2025.
A estimativa também representa uma queda de 4% em relação à projeção anterior dos analistas.
O volume de lançamentos da Cyrela em 2025 representou uma alta de 35% em relação a 2024, e a empresa reconheceu na última call de resultados que o avanço havia sido foi “fora da curva” e havia uma “chance menor” de a empresa “acelerar os lançamentos de forma relevante” neste ano.
O banco – que rebaixou a Cyrela na semana passada, de compra para neutro – disse em relatório que a sua visão reflete “potenciais surpresas negativas” no ritmo de vendas durante o primeiro semestre deste ano.
O banco notou que o percentual de venda de estoque pronto da companhia caiu para algo perto de 10% no quarto trimestre – o menor nível em três anos – e que o percentual do estoque pronto em relação ao estoque total está em 14%, o segundo maior entre as incorporadoras cobertas pela instituição, atrás apenas da Eztec, com 41%.
A Cyrela é a única entre as cobertas pelo JP Morgan com projeção de queda dos lançamentos.
Ao analisar dados do Secovi-SP, o banco reparou que todas as faixas de preços do médio/alto padrão estão com vendas mais lentas.
Nos imóveis avaliados entre R$ 700 mil e R$ 1,4 milhão, o estoque subiu para 15 meses de venda em janeiro, ante o ritmo de nove meses um ano antes. Entre R$ 1,4 e R$ 2,1 milhão, saltou de 10 para 14,5 meses. Acima de R$ 5 milhões, avançou de 17 para 20.
“Embora a Cyrela se beneficie da diversificação de seus negócios, atuando tanto no médio/alto padrão quanto na baixa renda (que representa 40% dos resultados), acreditamos que a maioria dos investidores vê a empresa mais como um nome ‘beta para aproveitar uma recuperação médio/alto padrão Brasil, que pode ser adiada devido às incertezas macroeconômicas atuais,” disseram os analistas do banco.
“As ações poderiam ter um desempenho superior em meio a notícias favoráveis ao mercado relacionadas às eleições presidenciais do Brasil, apesar de fundamentos mais desafiadores no curto prazo.”
Com o rebaixamento da Cyrela, o JP Morgan se tornou um dos poucos bancos que não recomendam a compra do papel, ao lado do Morgan Stanley.
A ação da Cyrela caiu 2,3% hoje, a R$ 26,89. O preço-alvo do JP Morgan para a incorporadora é R$ 35.







