RBR vai entrar no equity de concessões de iluminação pública

A RBR Asset está se preparando para se tornar sócia de concessões de iluminação pública – numa das primeiras teses que pretende executar com os recursos da venda da carteira de fundos listados para o Patria.
A gestora já atua nesse nicho com o seu fundo de crédito em infraestrutura que origina empréstimos para concessionárias que precisam de capital para modernizar seus parques de iluminação, trocando lâmpadas antigas por novas – e agora vai dar um passo além entrando nos próximos leilões de concessões como um sócio financeiro das empresas operadoras.
“As experiências com o crédito nos deram a convicção para investir no setor também com equity,” Ricardo Mahlmann, o co-head da área de infraestrutura da RBR, disse ao Metro Quadrado.
A estratégia será posta em prática por um fundo monotemático que a RBR deve lançar nos próximos dias – um veículo de private equity associativo – que será um dos primeiros fundos criados pela casa depois da venda dos listados para o Patria, e o primeiro do Brasil totalmente dedicado à iluminação pública.
A meta é captar R$ 100 milhões, dos quais 5% devem vir dos recursos que os sócios da RBR receberam com a venda para o Patria – como parte de um compromisso da gestora de destinar 50% do dinheiro da transação para ajudar a impulsionar novos produtos da casa.
A RBR estima que a captação seja suficiente para entrar em três projetos, um deles já bem encaminhado.
Não necessariamente o novo fundo vai entrar já de cara no equity das concessões. A depender de uma série de variáveis, a estratégia poderá ser começar com dívida e depois convertê-la em participação – mas sempre haverá o viés de virar sócio em algum momento.
A RBR gosta do segmento porque o percentual de municípios que recorrem a concessões para modernizar e ampliar seus parques de iluminação pública ainda é muito baixo – de apenas 3% – e porque cerca de 80% das cidades ainda não usam LED em suas lâmpadas, uma tecnologia menos poluente e mais econômica.
“Há um mar azul nesse nicho para explorar,” disse Raphael Barcelos, o outro co-head da área de infraestrutura da gestora.
A RBR também entende que o segmento ficou ainda mais atrativo depois da reforma tributária, que ampliou o escopo do que os municípios podem fazer com o dinheiro arrecadado pela COSIP, a contribuição paga pelos cidadãos na conta de luz e que é destinada para a manutenção da rede pública.
Com a reforma, as prefeituras passaram a poder usar esse recurso também para investimentos em câmeras de segurança para identificação facial e estações de meteorologia, ampliando as oportunidades.
“Os novos leilões do segundo semestre já devem trazer esse escopo expandido, dando mais segurança aos investidores e credores,” disse Raphael.
O dinheiro da COSIP, por ser um recurso já garantido para custear a iluminação pública, também dá à RBR a vantagem de ter uma receita recorrente e previsível – e em projetos que custam menos e podem ser entregues mais rápido do que outras parcerias público-privadas (como a construção de metrôs, por exemplo).
“Com essa estratégia estamos buscando tentar achar mais prêmio num setor que tem menos risco possível,” disse Raphael.
Além disso, o novo fundo reforça a tese de infraestrutura da RBR, que já soma R$ 1,1 bilhão sob gestão e pode chegar a R$ 2 bi até o fim do ano, na projeção da gestora.
A RBR acredita que o mercado de fundos de infra é hoje o que era 10 anos atrás o de fundos imobiliários, e por isso tem potencial para crescer, alcançando o investidor do varejo e chegando mais perto da demanda que já existe de debêntures de infra.







