Riza Asset fecha a compra da Virgo

Riza Asset fecha a compra da Virgo
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A Riza Asset a gestora de Daniel Lemos está comprando a Virgo, numa transação que é uma boia salva-vidas para a segunda maior securitizadora do Brasil, fontes a par do assunto disseram ao Metro Quadrado.

A holding que controla a Riza e o dono da Virgo, Ivo Kos, assinaram hoje à tarde uma proposta não vinculante, que dá exclusividade nas negociações. Agora, a Riza fará as diligências finais e tem 30 dias para concluir a transação.

A Virgo se viu recentemente envolvida num escândalo de desvio de recursos de clientes para honrar um CRI da Cedro Participações, o que colocou em xeque a sobrevivência da companhia.

Nesta semana, a Virgo contratou Marcos “Marcão” Gonçalves, da CVPar, para achar um comprador a toque de caixa.

Segundo uma das fontes, a proposta da Riza é adquirir 100% da Virgo sem desembolsar praticamente nada na cabeça. A gestora de Lemos pagaria menos de R$ 5 milhões de imediato, e Kos teria direito a um earnout.

Nos primeiros cinco anos, ele receberia valores pequenos e, no quinto ano após a transação ele teria direito a 5x o lucro da companhia em cima de um percentual minoritário do negócio, ao redor de 15% a 30%.

O acordo foi assinado hoje à tarde numa reunião que contou também a participação das gestoras que são as principais clientes da Virgo, incluindo nomes como XP, Kinea, Pátria e Iridium.

Uma das fontes disse que a Riza recebeu apoio das gestoras, que queriam buscar um player de mercado que tivesse governança para assumir o negócio.

Para a Riza, o investimento na Virgo tem um perfil de private equity: o objetivo é fazer o negócio crescer para vender lá na frente. A gestora vai trocar toda a gestão e já está negociando a vinda de um novo CEO.

Uma das condições precedentes para que a transação seja fechada é resolver o problema do CRI da Cedro. Segundo as fontes, a Riza não vai absorver o CRI, mas já está trabalhando em soluções de mercado para resolver a questão.

O imbróglio da Virgo teve a ver com uma operação envolvendo um CRI da Cedro que buscava levantar recursos para construir um hospital ‘built to suit’ para a Oncoclínicas em Belo Horizonte.

A emissão seria em três tranches, com a primeira somando R$ 130 milhões. A Virgo começou a conversar com investidores em março para levantar os recursos, mas o mercado se mostrava reticente com o risco e a emissão não encontrou compradores.

Mesmo assim, Kos decidiu dar uma garantia firme na operação. Quando não conseguiu captar – e sem recursos para arcar com a garantia firme – Kos começou a desviar recursos das contas de outros clientes da securitizadora para comprar o CRI da Cedro.

Para operacionalizar o desvio de recursos sem chamar atenção, o dinheiro dos clientes não era investido diretamente no CRI da Cedro, e sim num fundo chamado Allocation, criado em maio pela Virgo.

A Virgo fez essas movimentações com diversos clientes, mas pelo menos três deles — Kinea, XP Asset e Oriz — perceberam a saída dos recursos e exigiram que o dinheiro voltasse para a conta.

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