Incorporadoras voltarão a olhar para a classe média, diz Jorge Cury

Incorporadoras voltarão a olhar para a classe média, diz Jorge Cury
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As incorporadoras devem ampliar os investimentos em projetos para a classe média este ano, Jorge Cury, o novo presidente do Secovi-SP, disse ao Metro Quadrado.

A faixa de renda tem sido ignorada há anos pelo mercado, que graças à Selic exuberante está preferindo apostar em segmentos mais seguros, como o Minha Casa Minha Vida e o alto padrão.

Mas com o início do ciclo de cortes, Cury acredita que as incorporadoras voltarão a olhar para o público que no passado pagava as contas.

“A classe média sempre foi o carro-chefe das incorporadoras. O crescimento do mercado, a ponto de abrir capital na Bolsa, veio do consumo da classe média. Isso está voltando porque há uma demanda reprimida enorme,” disse o presidente do Secovi-SP.

Fundador e CEO da Trisul, Cury assumiu em novembro o comando do Secovi-SP, substituindo Rodrigo Luna, o fundador da Plano & Plano.

Segundo ele, apesar dos novos estímulos do governo federal ao Minha Casa Minha Vida – como a ampliação das faixas de renda atendidas – o programa enfrenta limites de crescimento, o que pode abrir espaço para novos produtos voltados à classe média com a queda dos juros. “É só uma questão de tempo,” disse.

“Precisamos de affordability nos imóveis para a classe média. Isso só vai acontecer quando os juros caírem e a renda dessas pessoas se encaixar em um financiamento de melhor qualidade e mais acessível.”

Apesar da expectativa de queda da Selic, o Secovi-SP ainda prevê uma expansão tímida para o mercado paulistano em 2026.

Enquanto a projeção para empreendimentos do Minha Casa Minha Vida é de avanço de 5% nos lançamentos, os demais mercados – que abrangem o segmento de classe média – devem crescer 2%.

No ano passado, o mercado como um todo lançou 139 mil unidades e vendeu 113 mil, altas de 34% e 9%, respectivamente, em relação ao ano anterior.

O Minha Casa Minha Vida segue como o principal segmento em número de vendas em 2025, respondendo por 64% do total, ou 72 mil unidades. Os demais mercados venderam 41 mil unidades no período.

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