Hedge vira sócia do Kempinski de Miami, o primeiro de vários nos EUA

A Hedge Investments está chegando cedo à tese do Kempinski nos Estados Unidos.
A gestora de André Freitas está se tornando sócia do primeiro projeto no mercado americano da marca alemã, que tem um plano de expansão no país e vê a unidade de Miami como o seu benchmark.
“O Kempinski é uma marca centenária que tem força e vai investir bastante nos Estados Unidos,” Freitas disse ao Metro Quadrado.

A casa captou R$ 83 milhões com um FIP para investir no empreendimento, que será um residencial assinado pela marca de hotelaria de luxo, a mais antiga da Europa, com VGV estimado de US$ 730 milhões.
O projeto, que será desenvolvido pela DaGrosa Capital Development Partners, começará a ser construído no primeiro tri de 2027 e tem previsão para ficar pronto no final de 2029.
O FIP da Hedge foi distribuído pela Arton Advisors, a boutique de investimentos responsável pelo club deal que trará o Four Seasons ao Rio de Janeiro e que também está aportando no projeto do Kempinski.
A casa diz que a alocação em ativos troféu de marcas consolidadas ajuda a blindar os investimentos em tempos turbulentos como o atual, no qual os conflitos no Oriente Médio e na Europa criam incertezas.
“Como distinguir um Kempinski de um Dolce & Gabbana ou um Aston Martin, por exemplo? Preferimos nos fidelizar com uma bandeira de presença internacional do que buscar um nicho de adeptos a uma determinada marca,” disse Sylvio Martins Neto, partner na Arton.
Outro atrativo para o investimento foi a localização. O mercado imobiliário de luxo de Miami registrou um boom tão grande após a pandemia que já registra escassez de oferta de imóveis e terrenos.
O clima ameno e a carga tributária menor do que em outros estados dos EUA têm atraído compradores bilionários como Ken Griffin, Mark Zuckerberg, Sergey Brin e Larry Page.
O Design District, o bairro onde ficará o branded residence do Kempinski, é um dos polos mais pungentes da cidade.
Como indica o nome, a região é conhecida principalmente pelas lojas de grifes de luxo da moda, design, arte e arquitetura e tem atraído também as incorporadoras de alto padrão.
Próximo tanto de Downtown quanto de South Beach, o bairro é considerado central e está se adensando.
O branded residence do Kempinksi é o primeiro investimento offshore da Hedge, que enxergou uma janela de oportunidade nas perspectivas de queda dos juros nos Estados Unidos e o fortalecimento do real ante o dólar – a moeda americana recua cerca de 4% no ano.
“O timing, em termos de conversão da moeda, pesa. O investimento não teria todo o potencial que teve se houvesse erro na aquisição da moeda,” disse Freitas.
A Hedge espera um retorno de dólar + 19% ao ano com o projeto, em que o FIP tem uma participação de 30%.
A gestora também analisa outras oportunidades fora do Brasil, incluindo club deals no segmento de logística, pois acredita que, apesar de pesarem no curto prazo, os conflitos geopolíticos atuais não devem fazer preço no médio e longo prazo.







