Entre o MIT e Harvard, Kendall Square terá novos locatários

CAMBRIDGE, Massachusetts – A praça localizada entre o MIT e Harvard está consolidando de vez a sua vocação como um destino de escritórios.
O último edifício público da Kendall Square foi demolido, e o terreno que sobrou foi comprado por US$ 750 milhões pelo MIT, que já era dono de boa parte do entorno e está vendendo partes do espaço para quem quiser desenvolver prédios corporativos para o setor privado.
O Volpe Building pertencia ao governo federal e funcionava como um microcosmo de serviços públicos, incluindo a sede do centro de transporte e logística do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.
Mas as autoridades locais entenderam que o prédio era grande demais, ineficiente e impedia o avanço da região.
No terreno de 56 mil metros quadrados, já há planos para escritórios de empresas como Astrazeneca, Biogen e Takeda – um sinal de retomada do mercado de escritórios da praça, que viu o preço do aluguel despencar na pandemia. Nos últimos quatro anos, caiu de US$ 1,4 mil para US$ 1 mil em média, segundo a imobiliária Jones Lang LaSalle.
O próprio centro de transportes e logística dos EUA vai ocupar um novo prédio privado na praça, sendo o único inquilino de um espaço de 16 mil m².
A nova sede da Biogen, a empresa americana de biotecnologia, é o primeiro grande projeto comercial a iniciar construção na Kendall Square em quase três anos – e deve ser inaugurada em 2028.
A praça já abriga outras empresas como a Moderna, a Pfizer, a Bayer, o Google e a Microsoft. A localização é estratégica por conseguir atrair talentos das principais universidades americanas, de professores e alunos. A Kendall fica no “quintal” do MIT e a duas estações de metrô de distância de Harvard.
O local foi sede de operações da Nasa nos anos 1960 e depois, nos anos 1980, abrigou o que era conhecido como o “beco da IA”: empresas nos estágios iniciais do desenvolvimento de inteligência artificial. Em 2000 as grandes farmacêuticas começaram a se concentrar na área e desde então são maioria por lá.
A AstraZeneca, por exemplo, anunciou em 2024 a construção de um prédio de 16 andares – será o maior da cidade – para abrigar parte do setor de pesquisa e desenvolvimento da empresa, além da Alexion, a empresa de Boston comprada em 2021 e com foco em desenvolver remédios para doenças raras. A torre também contará com apartamentos residenciais e deverá ser inaugurada em 2026.
Já o projeto da Takeda terá uma torre comercial para abrigar parte da equipe de pesquisa e desenvolvimento. A empresa também patrocina a construção de um centro cultural no térreo, o “The Platform”, que terá uma praça aberta de 30 mil m², um anfiteatro com 400 assentos, uma sala de eventos com 150 lugares e um jardim interno.
Já a General Electrics planeja abrir no local o escritório da GE Vernova, um spinoff da empresa para iniciativas de transição energética e descarbonização.
Com os novos investimentos, Harvard também se movimenta para ter um hub de inovação no quintal da faculdade.
A faculdade mais antiga dos Estados Unidos quer transformar uma outra praça, próxima da Escola de Engenharia, na sua própria Kendall Square e já conta com uma série de projetos na pipeline, de centros de conferência a um novo hotel, que deverão ocupar uma área de mais de 185,8 mil m².







