Forte na Zona Leste, Diálogo Engenharia vê sua dívida quase dobrar

A Diálogo Engenharia – uma construtora com forte presença na Zona Leste de São Paulo – viu o seu endividamento quase dobrar no ano passado.
A dívida líquida da companhia saiu de R$ 475 milhões no fim de 2024 para R$ 880 milhões em 2025. No mesmo período, o nível de alavancagem (dívida líquida sobre PL) saltou de 90% para 200%.
Num relatório, o time de research de renda fixa do Itaú BBA disse que a dívida aumentou em razão do maior uso do plano empresário (SFH) e de uma política mais intensa de distribuição de dividendos.
A companhia lançou sete empreendimentos em 2025, com VGV de R$ 3,9 bilhões — alta de 73% — enquanto as vendas líquidas cresceram 23%, para R$ 2,9 bilhões, mas abaixo da projeção de R$ 3,1 bilhões.
A velocidade de vendas caiu de 59% para 51%, e também ficou abaixo da previsão, de 55%.
“Contudo, consideramos que a velocidade das vendas se mantém elevada e acima dos pares do setor,” escreveram os analistas do Itaú BBA.
A Diálogo atua no segmento de média e alta renda em São Paulo, com uma atuação relevante na Zona Leste, onde concentrou 56% do VGV lançado entre 2022 e 2024.
Segundo estimativas do Itaú BBA, a dívida líquida deve cair para R$ 179 milhões em 2027 e ficar negativa a partir de 2028.
A alavancagem deve seguir o mesmo caminho, recuando para 50% em 2027, antes de ficar negativa nos anos seguintes.
O banco também projeta que a Diálogo deve manter lançamentos próximos de R$ 4 bilhões por ano entre 2025 e 2027, com queda para R$ 2,9 bilhões em 2028.
A companhia tem um landbank de R$ 14,6 bilhões, praticamente todo quitado.
“O robusto landbank contribui para o crescimento operacional dos próximos anos, permitindo o elevado volume de lançamentos sem a necessidade de aquisição de novos terrenos,” escreveram os analistas.
Mas o banco reconhece que, do lado macro, o cenário deve seguir desafiador, “com sinais de moderação na demanda e juros ainda em patamares elevados, fatores que justificam acompanhamento mais próximo da evolução dos indicadores nos próximos meses.”







