Paes age para manter confeitaria no Leblon, surpreendendo o mercado

Paes age para manter confeitaria no Leblon, surpreendendo o mercado
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O prefeito Eduardo Paes está tentando impedir a venda e a demolição de uma das confeitarias mais tradicionais do Leblon, a Rio-Lisboa, pegando de surpresa os candidatos a comprá-la.

Conforme o Metro Quadrado revelou há dois dias, o ponto comercial está na mira de pelo menos quatro incorporadoras e de um empresário que é dono de outra padaria icônica e vizinha, o Talho Capixaba.

Todos têm interesse em construir no local um novo prédio, corporativo ou residencial.

Eduardo PaesApós uma reação de moradores do bairro que querem a manutenção da confeitaria, o prefeito mandou declarar o imóvel um patrimônio cultural do Rio, e a decisão já foi publicada hoje no Diário Oficial.

O fato de o imóvel ter virado patrimônio cultural não impede mudanças na estrutura física nem a venda. O espaço teria que ser tombado, o que seria um outro procedimento. Mas o prefeito já indicou que não vai parar por aí.

Em sua conta no X, ele escreveu: “A Rio-Lisboa fica!  Ponto final!  Essa é só a primeira medida para preservá-la!”

Os players que estão de olho na confeitaria são a Itten, a TGB Imóveis, a SIG Engenharia e a Mozak.

O empresário proprietário da padaria vizinha é Luis Alberto Abrantes, que também é dono de uma participação na Rio-Lisboa e tem direito de preferência para comprá-la dos outros dois sócios.

Entre os interessados, um deles sequer estava sabendo da medida quando procurado pelo Metro Quadrado.

“Com toda certeza teremos que reavaliar qualquer movimento,” disse um outro.

Já um terceiro considerou a medida um “absurdo.”

“Como você troca um negócio por patrimônio cultural? Aí o negócio dá prejuízo e como faz? Quem paga o prejuízo? A prefeitura? A Câmara? Essa história de patrimônio é muito complicada porque não faz sentido.”

Fundada há 83 anos por imigrantes portugueses, a Rio-Lisboa fica na Av. Ataulfo de Paiva, a duas quadras do Posto 12, em um terreno de 280 metros quadrados, e os donos estão pedindo R$ 30 milhões.

A confeitaria virou um alvo disputado porque está localizada em um dos bairros mais caros do País, que continua se valorizando, mas enfrenta uma escassez de terrenos para novos projetos.

O Leblon costuma ser apontado como o bairro do Rio mais nobre para escritórios, o preferido das gestoras de investimentos, mas a falta de espaço impede a chegada de novas empresas.

Já no mercado residencial, o bairro tem sido cobiçado principalmente por pessoas de fora do Rio que querem ter uma residência na cidade, um movimento que tem sido impulsionado pela retomada do turismo no pós-pandemia.

Segundo um levantamento da Bel Radar, o Leblon foi o bairro que teve em 2025 a segunda média mais elevada no valor de transações imobiliárias, em R$ 17 mil/m², mas incorporadoras como a Mozak veem potencial para empreendimentos de altíssimo padrão venderem lançamentos a uma patamar de R$ 60 mil/m².

A venda da Rio-Lisboa poderia gerar um respiro para o bairro em termos de oferta, inclusive diminuindo a pressão de preços nos ativos existentes, mas enfrenta a resistência de moradores que não querem mais um prédio no bairro.

O movimento de Paes também reforça que o prefeito tem se envolvido com frequência em questões imobiliárias da cidade.

Algumas iniciativas foram bem recebidas pelo mercado, como o programa Reviver Centro, que incentivou retrofits na região central.

Já outras geraram reação negativa, como esta e a tentativa de desapropriação de um imóvel em Botafogo onde funcionava um supermercado, para viabilizar um projeto ligado à Fundação Getulio Vargas.

“Nesses bairros muito midiáticos sempre há uma espécie de saudosismo e melancolia, mas a realidade das cidades é que negócios abrem e fecham,” disse o vereador Pedro Duarte (sem partido), o presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, que lembrou: “Você pode tombar a estrutura física, mas não a atividade. Já vimos cinemas virarem igrejas no Rio.”

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