Por que a Allos sai na frente com a isenção do IR

Por que a Allos sai na frente com a isenção do IR
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A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil – que entrou em vigor no início do ano – vai colocar mais dinheiro no bolso de cerca de 10 milhões de brasileiros e, na avaliação do BTG, deve impulsionar o consumo em shopping centers expostos à classe B.

Para os analistas do banco, a Allos é a operadora que está melhor posicionada entre as listadas do segmento para se beneficiar da medida, por ter mais ativos com um fluxo de consumidores dessa faixa de renda, como os shoppings Metrô Santa Cruz, Metrópole e São Bernardo Plaza.

A isenção do IR foi um dos fatores que levaram o BTG a escolher a Allos como a sua nova top pick do segmento, apostando que a companhia vai atravessar o cenário macroeconômico adverso de 2026 melhor do que concorrentes como Iguatemi e Multiplan, diferentemente do que ocorreu em ciclos anteriores.

Historicamente, segundo o BTG, a Allos apresenta desempenho inferior ao de seus pares em indicadores como vendas nas mesmas lojas (SSS) e aluguel nas mesmas lojas (SSR).

Pelo menos desde o início de 2023 o SSS da Allos tem crescido menos que o das duas concorrentes. 

No último balanço disponível, do terceiro tri, avançou 2,9%, enquanto Iguatemi e Multiplan tiveram expansão de 5,8% e 4,8%, respectivamente.

Já no SSR, o ritmo tem sido inferior desde o fim de 2024. No terceiro tri de 2025, subiu 6,5%, enquanto Iguatemi e Multiplan tiveram altas de 7,1% e 9,3%.

O banco também diz que a Allos agora tem um portfólio mais qualificado, depois de um ciclo de reciclagem.

Há 10 anos, ainda sob a marca Aliansce, eram 19 shoppings com 687 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL). 

Depois da incorporação da Sonae Sierra, em 2019, e a fusão com a BRMalls, em 2022, a Allos triplicou de tamanho, chegando a 53 shoppings e cerca de 2,2 milhões de m² de ABL. 

Nos últimos dois anos, porém, a empresa vendeu 190 mil m² em ativos non-core, para reduzir a sua alavancagem, e hoje conta com 45 shoppings – mas ainda é dona do terceiro maior portfólio da América Latina, somando 1,9 milhão de m².

Ao diminuir o seu endividamento, a Allos deve ter encerrado o ano com uma relação dívida líquida/Ebitda de 1,7x, o que vai permitir a distribuição de dividendos consideráveis, diz o BTG.

O banco avalia que um dividend yield de 11% pode ser sustentado por ao menos três anos, desde que a alavancagem fique próxima de 2x, colocando a companhia como a maior pagadora de dividendos do segmento na B3.

O BTG estima que a Allos vai distribuir cerca de R$ 5,2 bilhões em dividendos entre 2026 e 2028, o equivalente a 35% do valor de mercado atual.

“Esse nível de retorno de caixa é inédito entre as operadoras de shoppings brasileiras e altera significativamente o perfil de risco-retorno da ação,” escreveram os analistas.

O banco recomenda a compra do papel com um preço-alvo de R$ 39. Nesta terça, a ação subiu 1,22%, cotada a R$ 31,65.

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