Com turnaround e múltiplo descontado, Santander recomenda comprar Dexco

O Santander iniciou a cobertura da Dexco com uma recomendação de outperform e um preço-alvo de R$ 7,20.
O papel fechou hoje a R$ 5,19, uma queda de 2,6%.
A dona das marcas Duratex, Deca e Hydra negocia a 5,6x EV/EBITDA, um desconto de cerca de 25% em relação à sua média histórica.
A companhia – cujos principais acionistas são a Itaúsa com 40,8% do capital e a família Seibel com 20,4% – vale R$ 4,2 bilhões na Bolsa.
Os analistas Fanny Oreng, Matheus Meloni e Luis Wadt destacaram que o mercado imobiliário brasileiro segue resiliente, e isso, combinado à perspectiva de queda dos juros, deverá sustentar a demanda pelos produtos da companhia. Além disso, o time do Santander vê uma melhora nos fundamentos da empresa, com a perspectiva de desalavancagem e o desconto relevante de múltiplo em relação à média histórica.
Segundo o Santander, a divisão de madeira da Dexco deve continuar sendo o principal motor dos resultados por conta dos preços elevados e da integração vertical dos ativos florestais da companhia.
Já a LD Celulose – a joint venture entre a Dexco e a austríaca Lenzing – tem operado acima da capacidade inicialmente divulgada depois de um ramp-up mais rápido que o previsto.
Para os analistas do banco, esse desempenho, combinado a iniciativas recentes de gestão de passivos, pode acelerar a desalavancagem e ampliar o fluxo de dividendos da Dexco.
Nas demais divisões – metais, louças e revestimentos – o banco nota que como resultado do turnaround iniciado em 2023 a companhia reduziu estoques e buscou recuperar share por meio de ajustes de preços, reforço em marketing, reestruturação da equipe comercial, adequação de capacidade e maior foco em produtos premium.
A expectativa é de uma melhora gradual de margens a partir de 2026, embora o segmento de revestimentos ainda enfrente concorrência intensa e sofra com pressão de preços e excesso de estoques no setor.
Para os analistas, a desalavancagem segue como prioridade para a Dexco. Eles avaliam que a redução do endividamento deve ocorrer tanto por ganhos operacionais quanto por uma eventual monetização de ativos — cujo impacto não está incorporado nas projeções do banco.







