KNCR11, o fundo ‘boring’ da Kinea, faz captação recorde de R$ 3 bi

KNCR11, o fundo ‘boring’ da Kinea, faz captação recorde de R$ 3 bi
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A Kinea acaba de anunciar a maior captação com um fundo imobiliário de sua história.

O KNCR11 levantou R$ 3,2 bilhões com uma emissão de cotas e tornou-se o primeiro FII da B3 a atingir R$ 10 bi em patrimônio.

A gestora vai investir os novos recursos em CRIs dos quatro principais segmentos em que o FII já atua: escritórios, logística, shopping centers e residencial.

Lançado pela Kinea em 2012, o KNCR11 deu origem à família de fundos de crédito da gestora e ficou conhecido por investir em ativos de baixo risco de crédito indexados ao CDI.

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“É um fundo entediante e é pra ser mesmo. Nunca precisamos executar um imóvel na história do FII,” Flávio Cagno, sócio e gestor da Kinea, disse ao Metro Quadrado.

A captação representa uma exceção em um momento de juros altos em que o mercado ainda está restrito para novas emissões, mas a gestora entende que o próprio histórico do fundo ajudou.

Os juros pós-fixados na máxima beneficiam o retorno do veículo, que se tornou mais atrativo, com a cota se valorizando.

Hoje o principal segmento na divisão por alocação da carteira é o de escritórios, que representa 45,8% do total. Na sequência estão os CRIs de shoppings, com 21,7%.

A logística aparece em terceiro lugar com 10,8%, mas o segmento é o mais relevante no pipeline da oferta atual graças à onda de transações que registrou nos últimos meses.

“As oportunidades que surgiram são tão boas do ponto de vista dos ativos, do sponsor e da alavancagem que a parcela de logística vai aumentar em relação ao todo,” disse o gestor.

Entre as operações que devem ser liquidadas nos próximos dias estão um CRI de R$ 300 mi e outro de R$ 100 mi para financiar gestoras que compraram galpões.

O setor de shoppings também é destaque na leva atual de alocação e deve manter a segunda colocação no portfólio.

Em janeiro, por exemplo, o KNCR11 comprou CRIs que financiaram parte das aquisições do Midway Mall e do Bauru Shopping pelos FIIs VISC11 e HGBS11, respectivamente.

Há ainda operações ligadas ao mercado residencial, que tem uma parcela menor de participação no portfólio por ser um segmento mais recente para o FII, mas que a Kinea vê com bons olhos.

“Há um viés de risco muito favorável. Muitas vezes são operações com uma tranche sênior e uma subordinada e, no caso do KNCR11, adquirimos as tranches sêniores que são super defensivas.”

O fundo deve desembolsar cerca de R$ 3 bilhões com as operações nos próximos três meses.

Os novos CRIs devem manter a taxa média do fundo acima de CDI+2% em meio ao cenário de provável queda dos juros a partir deste mês.

Como estão majoritariamente atrelados ao CDI, os rendimentos do fundo têm uma relação diretamente proporcional aos movimentos da Selic.

Mas o sócio da Kinea diz que a queda é benéfica para a indústria como um todo ao reduzir os riscos de inadimplência e fomentar novos deals.

“Teremos fundos crescendo, empresários comprando imóveis e gestoras participando das transações, então ninguém torce para o juro ficar alto.”

Além disso, Cagno afirma que os juros ainda se manterão no patamar dos dois dígitos, remunerando bem os investidores e permitindo um aumento nos spreads.

A Kinea gere cerca de R$ 27 bilhões em fundos de crédito imobiliário, incluindo o KNIP11 — outro gigante da indústria voltado a CRIs indexados à inflação — e o KNHY11, seu fundo high yield para teses mais arrojadas.

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