TRX busca R$ 375 mi para aproveitar a xepa dos FIIs

A TRX Investimentos está virando a chave na estratégia de captação de recursos.
Depois de focar no ano passado em trocas de cotas por imóveis para impulsionar o seu fundo de tijolo, o TRXF11, agora a gestora está buscando dinheiro novo para expandir o seu hedge fund imobiliário, o TRXY11.
A casa iniciou uma oferta para levantar até R$ 375 milhões para o fundo, e a ideia é alocar a maior parte – cerca de R$ 260 milhões – em outros FIIs que estão descontados, sofrendo com os juros altos e o baixo apetite dos investidores.
“FIIs de CRIs indexados ao IPCA, por exemplo, têm hoje um desconto relevante de 5% a 7% em portfólios de qualidade,” Raul Grego Lemos, portfolio manager da TRX, disse ao Metro Quadrado.
A gestora não descarta utilizar eventualmente a estratégia de trocar cotas por ativos no TRXY11 também, mas acredita que a queda projetada para os juros pode reanimar a demanda dos investidores.
O TRXY11 é um fundo lançado há pouco mais de um ano – no fim de 2024 – mas que cresceu pouco desde então — com cerca de mil cotistas e um patrimônio líquido de pouco mais de R$ 143 milhões.
Por ser multiestratégia, o fundo tem uma carteira que inclui CRIs e outros fundos e ações imobiliárias, além de terrenos para permutas.
Além de buscar os FIIs descontados, o fundo pretende investir parte da nova captação em CRIs atrelados ao CDI.
“Ainda que o CDI vá cair, ele está em um patamar muito alto e entendemos que está bem equacionado com um duration mais curto para gerar um retorno melhor.”
Outro setor de interesse é o de shoppings, tanto em ações — o fundo já detém uma posição na Allos — quanto em FIIs. Considerando que o setor já vive um bom momento operacional, a gestora diz que a queda da Selic tende a potencializar os resultados.
O pipeline da oferta inclui ainda R$ 40 milhões para três operações de permuta focadas em ganho de capital, com taxa interna de retorno (TIR) de 19% a 24%.
Duas delas são para projetos residenciais em Pinheiros e Moema, com um volume de R$ 10 milhões para cada. O fundo já fez uma operação similar no ano passado com um residencial de alto padrão da incorporadora Benx no Jardim Paulista.
O terceiro projeto prevê uma alocação de R$ 20 milhões em um terreno para um edifício corporativo em Pinheiros. A região tem se beneficiado da falta de espaço e dos preços elevados na vizinha Faria Lima e tornou-se o novo endereço de gigantes globais como Netflix e Amazon.
Com essa captação, a ideia é triplicar o PL e colocar o FII entre os maiores hedge funds imobiliários do País — uma categoria ainda pequena, em que apenas sete fundos têm patrimônio acima dos R$ 500 milhões.
Os hedge funds têm crescido desde que novas regras da CVM ampliaram as possibilidades de alocação das carteiras e por isso começaram a tomar o espaço dos FoFs, que estão restritos a investir em cotas de outros FIIs.
“Muitos desses hedge funds começaram dentro de um FOF. O TRXY11 é mais recente e não carrega um preço histórico elevado no portfólio de FIIs, por isso tem potencial de retorno adicional com ganho de capital,” disse o gestor.
Em dezembro, por exemplo, o hedge fund aproveitou um leilão de cotas do TRXF11 para uma alocação que depois foi vendida com ganho de 4%.







