Moura Dubeux prepara follow-on para financiar JV com Direcional

A Moura Dubeux está preparando uma oferta primária de ações para financiar os projetos que tocará com a Direcional no Nordeste e aumentar a liquidez das ações na Bolsa, apurou o Metro Quadrado.
A oferta-base que está sendo estudada seria de R$ 250 milhões, com os acionistas controladores subscrevendo R$ 90 milhões, o equivalente à sua participação no negócio. A depender da demanda, a companhia pode ofertar um novo lote de R$ 250 milhões.
O principal objetivo da incorporadora comandada por Diego Villar é alavancar o crescimento da JV que criou no fim do ano passado com a Direcional para atuar na Faixa 3 do Minha Casa Minha Vida nas maiores capitais nordestinas: Recife, Salvador, Fortaleza e Natal.

Mais focada em empreendimentos de médio e alto padrão, a Moura Dubeux atua na Faixa 3 desde 2024, quando criou a Única, mas ainda sem a mesma relevância dos projetos de renda mais alta.
Com a JV, a Moura Dubeux passa a ter como sócia uma empresa que já tem a expertise de operar programas voltados à baixa renda. A Direcional também já atuava no Nordeste, mas pretende se beneficiar do maior conhecimento que a Moura Dubeux tem da região.
A oferta também tem o objetivo de dar mais liquidez a uma ação que tem negociado a um volume diário de R$ 23 milhões, atrás de Eztec e Cyrela numa comparação com outros players de média e alta renda.
“A ação subiu muito nos últimos 12 a 18 meses, mas o número de ações negociadas não aumentou na mesma proporção,” disse uma fonte a par das conversas.
A ideia é que a empresa possa diversificar a sua base de acionistas, atraindo também mais investidores estrangeiros.
Entre as incorporadoras listadas de média e alta renda, este é o primeiro follow-on desde 2021, num indício de que o mercado está voltando a se abrir, com a perspectiva de queda de juros no começo de 2026, mas com uma postura ainda seletiva.
A Moura Dubeux tem sido apontada como uma das empresas do setor que têm vivido um bom momento operacional, entregando bons retornos, mesmo com os juros altos.
No seu último balanço, referente ao terceiro tri, a empresa reportou uma margem bruta de 41% e um ROE de 27%.
De janeiro a setembro, o lucro líquido acumulado foi de 308,3 milhões, um aumento de 49,6% ante igual intervalo do ano anterior.
Na prévia operacional do quatro tri publicada ontem à noite, a empresa informou que o ano terminou com R$ 4,6 bilhões lançados, um avanço de 80,7% em relação a 2024, enquanto o percentual de distratos sobre as vendas brutas caiu de 8,6% para 6,9%.
Em 12 meses, a ação da Moura Dubeux já acumula alta de 132%, impulsionada no início deste ano pelos dividendos extras que anunciou.
Nesta quarta, o papel caía 6,5% por volta das 11h30.
Para a oferta, a Moura Dubeux engajou o Itaú BBA (líder), o BTG Pactual, o Bradesco BBI e o Santander.







