A Eztec quer lançar tudo logo, antes que venha ‘alguma notícia’

A Eztec quer lançar tudo logo, antes que venha ‘alguma notícia’
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A Eztec está com pressa para fazer os lançamentos de projetos residenciais previstos para este ano.

O CEO Silvio Zarzur disse numa call com analistas que quer lançar o máximo possível do que está no pipeline ainda no primeiro semestre, com receio de que uma piora repentina no cenário macro assuste a demanda – que já não é das melhores com a Selic a 15%.

“O que nos preocupa é que ocorra algo na economia que prejudique as vendas, alguma notícia ou algo que atrapalhe o ânimo dos clientes,” ele disse. “Ainda não aconteceu, mas a gente está correndo enquanto olhamos a instabilidade que tem.”

Além da eleição presidencial em outubro, o mercado tem monitorado o conflito no Irã, que pode interromper ou retardar o ciclo de corte de juros no Brasil, esperado (por enquanto) para começar semana que vem.

O guidance da Eztec é lançar algo entre R$ 2,5 bi e R$ 3,5 bi em 2026, depois de atingir um VGV lançado de R$ 2,4 bilhões no ano passado. No primeiro tri, até o momento, a empresa já lançou R$ 521 milhões.

A Eztec é uma das incorporadoras listadas mais expostas ao público de média renda – o mais prejudicado pelo juro alto – e voltou a acelerar seus lançamentos para essa faixa com a expectativa de ser impulsionada pelo início dos cortes na Selic.

Hoje a maior parte do estoque da empresa é formado por alto padrão (39%) – um reflexo do esforço do mercado nos últimos anos para buscar compradores menos sensíveis aos juros – mas os lançamentos mais recentes já indicam uma atenção maior ao médio.

No quarto tri, todos os lançamentos da empresa estavam expostos ao segmento: dois de médio padrão em São Caetano do Sul e um para o médio/alto na Mooca.

“Estamos um pouco fora dessa concorrência tão concentrada no alto padrão,” disse o CEO, ponderando em seguida que a empresa seguirá com exposição ao segmento na Zona Sul. “Não tem jeito.”

Ainda assim, Silvio admitiu que “não está fácil” vender para o médio padrão, e disse que está apostando numa política agressiva de vendas, o que inclui a oferta de financiamento direto com a incorporadora e isentar o cliente de pagar o condomínio e o IPTU por um certo período.

Dos empreendimentos lançados no quarto tri, os dois de São Caetano já estão com vendas de 62% e 63%, e o da Mooca está com 18%. Entre os do primeiro tri, há um outro de médio padrão em São Caetano com 38%, e um na Chácara Santo Antônio (médio/alto) com 57%.

A política agressiva de vendas da Eztec nos lançamentos também busca diminuir o nível de estoque pronto da companhia, que já chega a cerca de 40% do total, um patamar considerado elevado.

“A nossa média de vendas já está maior do que antes, então quando chegar a próxima safra o estoque formado será menor,” disse o CEO, que acrescentou que em 2026 a empresa terá “poucas entregas” de obras.

A aceleração do ritmo de lançamentos neste ano também deve ajudar a empresa a elevar o seu ROE anualizado, que no quarto tri ficou em 9%.

A Eztec soma um landbank relevante de R$ 9,5 bilhões, e o fato de ter comprado terrenos à vista prejudicou o nível de rentabilidade, que a empresa quer recuperar com o turnover dos ativos.

“Agora nós estamos buscando comprar os terrenos de uma forma diferente. Em São Caetano, por exemplo, nós já lançamos dois empreendimentos com terrenos que ainda não acabamos de pagar,” disse o CEO.

Em relação à suspensão da emissão de novos alvarás na cidade de São Paulo, Silvio disse que “não se preocupa tanto”, porque a maior parte do que a empresa pretende lançar em 2026 já está aprovado.

Do que está previsto para o ano, a empresa já aprovou R$ 2,45 bi na capital paulista e tem mais R$ 232 milhões em Osasco, sobrando R$ 664 milhões em projetos que poderiam ser afetados pela medida.

“Nós temos outros produtos que podemos eventualmente trazer para o guidance e substituir esses.”

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