#Fightnow. A briga de moradores dos Jardins com João Adibe

#Fightnow. A briga de moradores dos Jardins com João Adibe
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Uma mansão nos Jardins avaliada em R$ 25 milhões e com arquitetura inspirada no estilo neoclássico (paredes brancas e colunas coríntias) foi parar na Justiça.

De um lado, a associação de moradores do bairro, a AME Jardins; do outro, os novos proprietários: o empresário João Adibe Marques, o dono da Cimed, e sua esposa, a influenciadora digital Cinthya Marques.

A AME Jardins entrou na Justiça pedindo o embargo das obras no imóvel, o que acarretou a suspensão temporária do Habite-se da residência, emitido em novembro.

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A entidade alega que, após adquirirem a propriedade, João e Cinthya aprovaram junto ao Condephaat um projeto de reforma, mas em vez disso teriam promovido uma demolição quase total do imóvel, mantendo apenas a fachada original e suprimindo integralmente a área de vegetação – o que teria prejudicado a permeabilidade do solo, em desacordo com a legislação municipal aplicável ao bairro tombado.

No processo, ao qual o Metro Quadrado teve acesso, a entidade acusa João e Cinthya Marques de danos coletivos e difusos, danos ambientais, recalcitrância e conduta desrespeitosa às decisões administrativas, além de prejuízos ao bairro, aos moradores e ao patrimônio urbanístico tombado.

O pedido de tutela da associação de moradores foi atendido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) durante o recesso do Judiciário.

O casal recebeu a notícia do embargo da obra e da suspensão do Habite-se quando estava em Miami, onde a família tem um apartamento e passava férias no fim do ano.

A defesa de João Adibe recorreu da decisão, alegando que o Habite-se – o documento que atesta a conclusão das obras e permite o uso do imóvel – já havia sido emitido pelo órgão municipal. O pedido, no entanto, foi negado pelo juízo.

As obras da casa foram iniciadas há quatro anos, e desde então vêm chamando a atenção dos vizinhos pelas suas dimensões e exposição pública. 

Para o projeto, o casal João e Cinthya contratou o arquiteto americano Eric Carlson, o fundador do Carbondale, um premiado escritório de arquitetura de Paris.

Carlson é muito conhecido no mercado por seu trabalho em projetos comerciais de luxo, incluindo as lojas do grupo LVMH, a obra de revitalização do shopping Iguatemi e residências de bilionários ao redor do mundo.

O escritório mantém uma equipe de quatro profissionais em São Paulo, dedicada principalmente a questões legais e urbanísticas da cidade, voltada à viabilidade e à execução dos projetos.

Carlson esteve no Brasil no fim do ano para uma visita técnica ao imóvel, já na fase de finalização das obras, quando definiu os ajustes finais de decoração e acabamento. A visita foi divulgada pela dona da casa em suas plataformas. 

Cinthya, que usa as redes sociais para publicações sobre seu estilo de vida, moda e viagens, publicou vídeos com atualizações do projeto ao longo da obra, revelando uma residência nababesca.

O imóvel tem quartos inspirados na arquitetura de Paris, pastilhas decorativas feitas à mão em Veneza, 43 tipos de mármores (nacionais e internacionais), além de referências ao universo da moda de alto padrão – como a piscina semelhante à da casa de Gianni Versace em Miami onde o estilista foi assassinado.

O processo da AME Jardins foi instigado por moradores do bairro que procuraram a associação pedindo a apuração de possíveis irregularidades na obra. 

A AME Jardins diz que tentou dialogar com os proprietários, mas sem sucesso.

“Após a constatação, por técnicos do Condephaat, de irregularidades relacionadas às normas de uso e ocupação do solo, inclusive com recomendação de embargo da obra, a entidade recorreu aos meios legais cabíveis,” disse a associação em nota.

Procurados, João e Cinthya disseram, também em nota, que a família acompanha e colabora integralmente com todas as averiguações conduzidas pelas autoridades competentes e que os esclarecimentos serão prestados no processo em curso.

Em paralelo, o casal também enfrenta uma outra ação movida pelo vizinho da casa ao lado, André Schwartz, o CEO do banco Genial.  

Em um processo anterior ao da AME Jardins, Schwartz alega que o processo de terraplanagem e a reforma do imóvel causaram danos estruturais à sua casa, como rachaduras e infiltrações. 

O laudo pericial apontou que parte das patologias listadas por Schwartz – como fissuras nos pisos internos da casa – eram endógenas, ou seja, causadas por tensões internas de dilatação térmica dos revestimentos. No entanto, o perito também identificou fissuras em paredes e infiltrações no forro em áreas próximas à divisa do terreno, que teriam sido causadas pela execução das obras. 

O caso tramita em segredo de Justiça. 

Já a ação da AME Jardins contra a casa da família Marques será analisada pelo plenário do Tribunal de Justiça, que avaliará o mérito da denúncia.



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