O resultado da eleição presidencial fez com que ao menos R$ 100 milhões em negócios da imobiliária Jardins&Co fossem pausados a pedido dos clientes.
Os negócios que entraram em standby já estavam em fases avançadas, perto da assinatura dos contratos, e envolvem casas e apartamentos em bairros nobres de São Paulo, como Jardim Europa, Itaim Bibi e Vila Nova Conceição.
“Teve cliente que parou a bola e falou 'não sei se eu quero me movimentar nos próximos dias. Vou repensar e digerir um pouco o que pode ser do Brasil’,” Raphael Guaraná, o CEO da Jardins&Co, disse ao Metro Quadrado.
As preocupações dos clientes envolvem especialmente os juros. Havia a expectativa de uma queda para 12% ou 11% ao ano, e agora muitos analistas esperam que a Selic fique mais tempo elevada, por causa da situação incerta na economia e da alta dos gastos públicos.
Tanto que, antes da eleição, incorporadoras de altíssimo padrão relatavam que a incerteza eleitoral estava travando mais as vendas do que o próprio nível atual dos juros, dado que uma troca de governo mudaria as perspectivas de médio prazo.
Guaraná diz que incorporadores também passaram a olhar com mais cautela para a aquisição de terrenos para futuros projetos.
As pausas nas negociações devem durar em torno de 15 dias, para que os clientes possam avaliar o cenário e as medidas a serem tomadas por Lula em seu próximo mandato.
Ele aponta que os pedidos de pausa envolvem principalmente compradores que estavam avaliando projetos, mas sem urgência de se mudar por alguma razão pessoal, como divórcio ou aumento da família.
“De 10 clientes importantes, cinco ou seis pararam. Mas tem outra metade que precisa fazer um movimento [de compra] e vai continuar,” afirma.
O CEO comentou ainda que, nesta segunda-feira, recebeu ligações de três clientes interessados em negócios no exterior, especialmente em Portugal e nos EUA, um volume 50% maior do que costuma receber em uma semana inteira.
“Foram contatos de clientes importantes, com real potencial de investimento,” afirmou.
Apesar do dia desafiador, Guaraná avalia que as coisas devem se acertar com o tempo.
“O momento agora é de melhorar de dentro pra fora, criar oportunidades e se virar com uma demanda menor,” ele disse.
“Com o tempo, as coisas vão se encaminhando. Torcemos para que o governo consiga fazer boas decisões. A gente não vai virar Venezuela. Vamos continuar.”
Guaraná também citou uma frase ouvida de um incorporador. “A gente tem que se virar nos altos e baixos. Vocês estão vivendo a história como ela é, e o Brasil como ele é.”




