A surpreendente reeleição do Presidente Lula interrompeu uma nova onda de reprecificação dos imóveis de Balneário Camboriú.
Segundo corretores da região, várias incorporadoras estavam contando com a vitória de Flávio Bolsonaro para reajustar os preços de tabela a partir de novembro, prevendo que uma troca de governo iria deixar o público investidor mais confiante para comprar.
Diferentemente de 2022, quando as vendas só travaram em outubro, o mercado de Balneário e adjacências (Itajaí, Itapema e Porto Belo) enfrentou uma desaceleração nos três meses anteriores ao pleito, com os compradores pregando cautela.
“Eu tenho um contrato pronto que o cliente me disse que só assinava se a direita vencesse,” disse um corretor.
Para não piorar a situação, a maioria das empresas evitou fazer reajustes de preços nesse período e se limitou a corrigir as tabelas pelos índices de inflação do mercado imobiliário.
A expectativa era de finalmente promover uma valorização dos imóveis em novembro, além de um aumento da meta de vendas e de uma antecipação de lançamentos. “Foi tudo cancelado,” disse outro corretor.
O maior entrave para o mercado de Balneário Camboriú é a alta taxa de juros, não pela dificuldade de financiar, mas porque faz o público investidor pensar duas vezes antes de tirar o seu dinheiro aplicado em CDI para comprar um imóvel.
Em razão disso, as conversas se tornaram mais arrastadas, com mais pedidos de descontos.
Um levantamento feito pela Felicità Imóveis, de Balneário, mostra que em 2026 as negociações estão levando 90 dias em média para serem fechadas, mais de quatro vezes o prazo de dois anos atrás, de 20 dias.
Até 2024, o cenário era tão mais favorável que as grandes incorporadoras nem aceitavam outros imóveis ou um carro como parte do pagamento. O parcelamento aceito era de no máximo 72 ou 84 vezes.
Agora, as companhias estão voltando a aceitar imóveis e carros como permuta, e ampliaram o prazo de pagamento para 100 vezes ou mais. E algumas estão até dispensando a entrada.




