Cury vê ‘brecha’ para renegociar custos de materiais

O aumento dos custos da construção provocado pela guerra no Oriente Médio tem preocupado as incorporadoras, mas a Cury diz que está começando a ver uma abertura para renegociar preços de materiais.
Como há uma expectativa de que o encarecimento dos projetos possa diminuir a demanda do mercado, os fornecedores estão mostrando que há uma “brecha” para rever valores, disse Paulo Curi, o co-CEO responsável pela área de engenharia.
“A cada dia temos uma notícia diferente da guerra. Enquanto tivermos toda essa incerteza, vamos ficar muito atentos a qualquer ajuste necessário,” ele disse numa call com analistas, a primeira desde que ele assumiu o posto de co-CEO junto com Leonardo Mesquita, ambos sucedendo Fabio Cury.
Paulo, no entanto, indicou que essa margem para negociações não necessariamente vai resultar em uma economia no custo da obra.
“O que eu acho que podemos falar é que estaríamos mantendo o nosso preço de hoje,” ele disse.
A discussão sobre inflação da construção dominou boa parte da call referente aos resultados do primeiro tri, em um momento em que o segmento de baixa renda vem sendo apontado pelo mercado como um dos mais expostos ao aumento de custos provocado pela guerra, por ter menos espaço para repassar preços ao consumidor.
A incorporadora já trabalha com uma expectativa de inflação próxima de 8% para o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).
De acordo com Mesquita, que assumiu como co-CEO de negócios e deve virar o único CEO depois de uma transição de dois anos, a alta do petróleo não gera um reajuste automático nos preços dos imóveis.
Ele disse ainda que a capacidade de elevar preços depende mais da localização dos empreendimentos, da pressão comercial dos lançamentos e da demanda pelos projetos do que simplesmente do aumento dos custos com materiais de construção.
“A lógica de aumentar preço para ganhar margem no dia em que se recebe uma notícia, sinceramente, não faz sentido. Nós não vendemos petróleo, que passa por reajustes,” disse Mesquita.
No primeiro tri, o lucro líquido da Cury (considerando somente as suas participações) somou R$ 302,9 milhões, uma alta anual de 41,9%, enquanto a margem líquida subiu 1,2 ponto percentual, para 18,8%.
Já o VGV dos lançamentos chegou a R$ 2,4 bi no primeiro tri, o que representa uma redução de 4,9% em relação ao mesmo período no ano anterior.
A ação da incorporadora subia 0,95% por volta das 16h30, a R$ 30,67, depois de ter chegado a subir mais de 5% no início da tarde.
A Cury vale R$ 9,85 bi na Bolsa.







