Em Manhattan, jovens buscam conventos para fugir do aluguel caro

Em Manhattan, jovens buscam conventos para fugir do aluguel caro
Pedro Borg |

Morar em Manhattan está tão caro que os mais jovens estão indo morar com as freiras, mostrou uma reportagem do The Wall Street Journal.

O aluguel médio na região alcançou US$ 3.616 no primeiro trimestre deste ano, cerca de 20% acima dos níveis pré-pandemia, segundo o Realtor.com.

Para quem está em início de carreira, a conta não fecha. A solução para alguns foi se mudar para conventos, que costumam cobrar valores menores.

No Upper West Side, um quarto no St. Agnes Residence custa a partir de US$ 950. O Centro Maria, no Bronx, cobra cerca de US$ 800, enquanto o Menno House, em Gramercy, tem quartos a partir de US$ 580, segundo levantamento feito pelo WSJ. 

O aluguel na maioria das residências inclui quarto mobiliado, café da manhã, Wi-Fi e contas de luz e água. As freiras também limpam os prédios e organizam festas para que os moradores se conheçam.

Elas também não exigem contrato anual nem prática religiosa e aceitam residentes de qualquer crença. Mas há outras contrapartidas.

Toque de recolher às 23h ou à meia-noite é comum. Nas casas exclusivamente femininas, visitas masculinas são proibidas nos quartos, assim como bebidas alcoólicas. Além disso, as freiras também controlam a bagunça nos quartos e podem fazer visitas surpresas.

Mas há exceções, como o Kolping House, no Upper West Side, que opera cerca de 90 quartos para homens e mulheres, sem toque de recolher.

O modelo não é novo. Os conventos abertos para a população foram criados no início do século 20 para abrigar jovens que chegavam sozinhos a Nova York em busca de trabalho.

Mas a maioria dos conventos fechou ao longo das décadas, pressionada por custos de manutenção crescentes, ordens religiosas em declínio e as perturbações da pandemia.

Os conventos que ainda resistem operam com uma longa lista de espera – e o perfil dos moradores inclui estudantes de pós-graduação, trabalhadores em início de carreira e pessoas com dificuldades financeiras.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir