O alto custo do capital no País levou a Direcional a segurar o volume de lançamentos, para conter a alta do estoque e elevar o caixa, reduzindo a alavancagem.
A companhia somou R$ 2,1 bilhões em lançamentos no segundo tri e R$ 2 bilhões em vendas brutas, e o plano é que os dois indicadores caminhem juntos, o CEO Ricardo Gontijo disse numa call de resultados nesta quarta-feira.
“Vamos ajustar o volume de lançamentos em função das vendas. Não vamos colocar capital em estoque. Com o custo atual de capital, não tem a menor chance de termos um incremento no preço de venda correspondente ao que custa nosso capital,” ele disse.
O CEO diz que seu objetivo é elevar o VSO para a faixa de 25%. No segundo tri, o indicador ficou em 23%.
“Queremos construir onde há demanda e velocidade de vendas.”
No segundo tri, a companhia teve lucro líquido de R$ 202 milhões, queda de 5,4% em relação ao tri anterior, e 9,7% maior na comparação anual.

Já a geração de caixa operacional somou R$ 80 milhões, mais que o dobro dos R$ 35 milhões do primeiro tri, enquanto o estoque fechou o segundo tri em R$ 5,611 bilhões, alta de 19% em 12 meses.
O índice de alavancagem está em 18%, uma redução de 6 p.p. em relação ao trimestre anterior. Para o segundo semestre, a empresa quer baixar mais esse número e mantê-lo abaixo de 20%.
Um dos problemas que a empresa enfrentou nos últimos meses foi a alta de distratos, que somaram 16,6% das vendas brutas, ou R$ 330 milhões em VGV.
A maioria das desistências ocorreu porque governos estaduais ficaram sem orçamento para subsídios locais ao Minha Casa Minha Vida, especialmente no Amazonas e no Ceará.
“Tínhamos um volume significativo de vendas feitas, considerando a continuidade desses programas estaduais, que deixaram de existir,” diz Gontijo.
A Direcional tem conseguido revender essas unidades no mercado e afirmou que 98% dos imóveis em Manaus já foram revendidos. A capital amazônica registrou 600 distratos no semestre.
Para a segunda metade do ano, a empresa espera que o volume de distratos se normalize, mas vê risco no Distrito Federal.
“Com a situação lá, principalmente no BRB, o programa que hoje existe no DF pode sofrer algum soluço,” afirma o CEO.
Ainda como parte da estratégia de melhorar a estrutura de capital, a Direcional anunciou ontem a recompra de até 32 milhões de ações, em até 18 meses.
A ação da Direcional fechou em queda de 4,72%, a R$ 10,49.
A companhia vale R$ 5,4 bilhões na Bolsa.




