A Eztec está aumentando seus negócios nos demais municípios da região metropolitana de São Paulo, em uma aposta de que o mercado residencial está menos concorrido e mais líquido fora da capital.
A incorporadora é uma das mais expostas à classe média, o segmento mais afetado pelos juros altos, e por isso tem buscado mercados mais favoráveis para seus produtos.
A mudança de rota ocorre em um momento em que a Eztec registra aumento nos distratos, queda na VSO e um alto volume de estoque pronto.
Todos os lançamentos da Eztec no segundo trimestre foram feitos fora da capital. Isso não significa que a companhia vai abandonar a cidade de São Paulo – até porque o landbank está concentrado no município –, mas a Grande SP deve avançar como proporção do VGV lançado.

“Eu tenho mais confiança na liquidez daquilo que temos na região metropolitana do que no mercado geral de São Paulo, pois há mais estabilidade,” o CEO Silvio Zarzur disse em call com analistas.
Um dos fatores que melhora a liquidez é o avanço demográfico. Segundo Zarzur, a Grande São Paulo hoje cresce mais do que a capital nesse quesito.
“Lá o cara compra um apartamento maior e mais barato e o custo de vida para contratar qualquer serviço é menor. Isso estabelece uma migração permanente vinda de São Paulo.”
Para capturar esse movimento, a incorporadora tem focado em terrenos nas fronteiras entre as cidades e a capital.
Em Osasco, por exemplo, a Eztec lançou no segundo trimestre um empreendimento localizado a cerca de 20 minutos do Parque Villa-Lobos.
Em São Caetano, onde já houve três lançamentos neste ano, os terrenos estão posicionados na borda da cidade para atrair também demanda dos outros municípios do ABC, São Bernardo e Santo André.
Juntos, os quatro projetos fora da capital somaram R$ 928 milhões em VGV. O empreendimento lançado no primeiro trimestre atingiu 61,6% de vendas, enquanto os outros três registram vendas de 43,6%, na média.
Além do foco na Grande SP, a Eztec também tem adotado uma postura mais agressiva nas vendas desde o início do ano, oferecendo benefícios como IPTU grátis, seis meses de condomínio pago e até mesmo milhas para potenciais compradores.
A incorporadora vendeu R$ 577,6 milhões no segundo trimestre, alta de 18,2% ante o mesmo período do ano passado.
Já a receita líquida caiu 16,1% na mesma base de comparação, para R$ 376,7 milhões. O lucro líquido também caiu 21,1% no período e fechou o trimestre em R$ 110,4 milhões.
A ação da Eztec recua 2,5% por volta das 15h40, cotada em R$ 10,74.




