Nos EUA, o ‘quartinho de empregada’ está virando um condomínio inteiro

Nos EUA, o ‘quartinho de empregada’ está virando um condomínio inteiro
Larissa Vitória |

Enquanto no Brasil o “quartinho de empregada” está se tornando um cômodo em extinção nos novos apartamentos de médio padrão, sobrevivendo apenas em projetos de altíssimo padrão, nos EUA há bilionários de tecnologia que estão comprando condomínios inteiros para os seus funcionários domésticos.

Larry Ellison, fundador da Oracle, investiu US$ 10 milhões em oito casas em um condomínio fechado em Boynton Beach, na Flórida, para abrigar os empregados de sua família, segundo o The Wall Street Journal.

Ellison vive a cerca de 30 minutos da área, em um complexo à beira-mar na exclusiva vila de Manalapan, comprado em 2022 por U$ 173 milhões.

As casas de Boynton Beach foram adquiridas em 2023 sob anonimato. Na época, os moradores da região já especulavam se tratar de algum bilionário tech – os principais candidatos eram Mark Zuckerberg e Elon Musk.

A identidade do real comprador só foi divulgada agora após uma investigação do WSJ com fontes a par do assunto. Procurada, a Oracle não comentou o assunto.

O movimento oferece um vislumbre de uma tendência que está crescendo, ainda segundo o WSJ. Alguns dos homens mais ricos do mundo estão construindo complexos nos quais os funcionários ficam perto o suficiente para atendê-los, mas com uma distância para manter a divisão clara entre os patrões e os empregados.

Zuckerberg, por exemplo, gastou US$ 110 milhões para comprar imóveis vizinhos em Palo Alto, na Califórnia, e criar um condomínio particular para sua família.

O complexo inclui mais de uma dezena de imóveis. Alguns deles são usados como casas de hóspede ou de entretenimento, enquanto uma das casas foi transformada em uma escola privada, segundo o The New York Times.

Essa tendência também tem levado desenvolvedores de prédios de luxo a incorporarem unidades menores como estúdios e apartamentos de um quarto nos andares mais baixos para acomodar os funcionários dos moradores dos andares de cima.

Além da distância conveniente, incluir a acomodação como parte do pacote de benefícios facilita a vida dos bilionários que buscam funcionários mais qualificados, especialmente para aqueles que vivem em áreas onde o mercado residencial oferece poucas opções baratas.

“Se você quer que eles cheguem ao trabalho rapidamente e tenham um trajeto razoável, investir em alojamento pode ser uma decisão muito inteligente,” Peter Mahler, fundador de uma empresa especializada em recrutar staff para famílias e escritórios de bilionários, disse ao WSJ. 

Ellison não economizou nas acomodações para seu staff, que inclui tutores para seus filhos, comprando casas com vista para um lago e até mesmo com piscina particular em alguns dos imóveis. 

Todos os vendedores tiveram lucro com os deals, segundo corretores que participaram da transação. Um casal, por exemplo, negociou uma casa de três quartos e quase 200 metros quadrados por US$ 1,2 milhões – o imóvel havia sido comprado por US$ 567 mil em 2019.

Ainda assim, parte dos residentes foi contrária à venda por temores das consequências de um indivíduo ou empresa ser dono de tantas casas do condomínio, que tem 288 residências.

A associação de moradores local criou novas regras para evitar que isso se repita no futuro.

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