A industrialização das obras se tornou um caminho sem volta para as construtoras, mas o setor tem enfrentado barreiras que retardam o avanço dessa tendência, principalmente em São Paulo.
Yorki Estefan, o presidente do Sinduscon-SP, disse em um evento da Abrainc que os entraves são basicamente regulatórios.

Um deles afeta o uso de gruas. Em uma construção industrializada, por exemplo, fachadas não podem subir por elevadores primários de obra e precisam de gruas para serem içadas.
Mas para que isso aconteça, a lança da grua precisa alcançar além dos limites do terreno, algo que a legislação de diversas cidades não permite – como São Paulo, que tem as regras mais restritivas do País.
“Quando viajamos, é possível ver as lanças das gruas rondando sobre todas as edificações no entorno delas, mas aqui isso não é possível,” ele disse.
Outro obstáculo é o transporte de carga. Em São Paulo, a entrega de materiais no centro urbano só pode ser feita à noite, o que dificulta a chegada das peças aos canteiros.
"É como se mandassem o empresário correr, mas ele está com as pernas e os braços amarrados," disse ele.
A falta de padronização também pesa. No Brasil, cada município tem seu próprio código de obras, e uma construtora que atua em São Paulo, Guarulhos, Cotia e Suzano opera com quatro conjuntos de regras diferentes – o que inviabiliza a escala e encarece o processo.
A estimativa é que a padronização poderia reduzir o custo direto de construção entre 15% e 20%, permitindo entregar mais unidades com o mesmo orçamento.
A solução, ele diz, passa por uma articulação mais intensa entre setor privado, prefeituras, governos estaduais e governo federal.
Para Estefan, a indústria de insumos já fornece os componentes para o avanço da industrialização, faltando apenas esse ajuste nas regras.
“Não é possível fazer industrialização de maneira plena com as restrições que existem hoje,” disse ele.




