Por que a Setin está ‘dando um tempo’ do Centro de São Paulo

Por que a Setin está ‘dando um tempo’ do Centro de São Paulo
André Ítalo |

Uma das primeiras incorporadoras a apostar na retomada do Centro de São Paulo, a Setin resolveu frear os lançamentos na região.

Embora ainda veja potencial para novos projetos em algum momento, a empresa entende que o aumento da violência no pós-pandemia atrapalhou o mercado.

“A gente sentiu muito isso e demos um tempo,” Bianca Setin disse ao Metro Quadrado. 

Vice-presidente da companhia e filha do fundador Antonio Setin, Bianca diz que o foco da empresa nos últimos anos foi zerar o estoque dos edifícios lançados no Centro.

A Setin ergueu oito prédios residenciais na região entre 2011 e 2021, em locais como a Praça da República e a Avenida São João, além de um hotel na Rua Araújo. 

Nos anos da Covid, contudo, o Centro ficou mais vazio, em razão da adoção do home office. Além disso, várias operações policiais feitas contra a Cracolândia acabaram espalhando os usuários de drogas pelos bairros próximos. 

A empresa, no entanto, espera voltar a buscar terrenos na região no futuro, em meio à onda de retrofits e à chegada da nova sede do governo estadual, a ser construída nos Campos Elíseos.

“O investimento da nova sede do governo vai trazer muita vida para o Centro, e é um ponto importante para a gente voltar a olhar,” disse.

Em 2026, o Grupo Setin espera atingir R$ 2 bilhões em VGV, sendo que apenas R$ 600 milhões devem vir da marca Setin. 

A atenção da empresa hoje está no segmento econômico, por conta do bom desempenho da Mundo Apto, empresa do grupo criada há nove anos.

A Mundo Apto constrói produtos para as faixas 2 e 3 do MCMV, e não pretende ir para a Faixa 4, ao menos por enquanto. 

“É um produto e um público um pouco diferentes do que estamos acostumados a vender. Por ora, vamos seguir nas faixas onde a Mundo Apto nasceu e é o que ela sabe fazer,” diz Bianca. 

Ela tem aproveitado seu landbank e usado terrenos em bairros mais bem localizados, que iriam para o médio padrão, para receber projetos populares, já que a classe média enfrenta dificuldades de acesso ao crédito e os custos de produção estão elevados. 

“O público de médio padrão não está conseguindo comprar e eu não estou conseguindo produzir ao preço que ele hoje consegue comprar,” diz ela.

No alto padrão, a Setin lançou neste ano o terceiro projeto da linha Alma Brasileira, chamado Eterno, no Paraíso. Neste segmento, também há cautela, em razão do aumento da oferta em todo o mercado, e por isso a prioridade é vender o estoque. 

“O mercado está exigindo uma leitura mais apurada, com menos espaço para erros,” diz ela. 

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir