Rossi costura trégua entre família fundadora e Silvio Tini para destravar RJ

Na Rossi Residencial, um acordo entre a família fundadora e o empresário Silvio Tini pôs fim a uma briga que já durava quase dois anos e impunha um desafio adicional à recuperação judicial da incorporadora.
Tini – conhecido por investir em outras empresas da Bolsa como a Alpargatas, Gerdau e Terra Santa – e os Rossi vão encerrar sete processos que foram abertos na Câmara de Arbitragem do Mercado entre 2024 e 2025.
A briga começou ainda em 2024, quando João Rossi Cuppoloni, à época presidente do conselho de administração, e Renata Rossi Cuppoloni, sua irmã e também conselheira da empresa, acusaram outros membros do colegiado de favorecerem o empresário.
Os Rossi alegavam que Tini e os três conselheiros detinham uma participação superior a 25% da companhia, patamar que dispararia uma poison pill e obrigaria a realização de uma oferta pública de aquisição de ações.
Na época, cada ação valia cerca de R$ 5 e Tini poderia ter que arcar com uma cifra ao menos 125% superior ao preço mais alto pago por ele durante a compra de papéis da companhia nos 60 meses anteriores à OPA.
O empresário não participa do conselho da Rossi ou de qualquer outra de suas investidas após um revés em um julgamento da CVM em julho de 2021.
Tini foi condenado por não guardar sigilo sobre informações privilegiadas da Alpargatas e ficou impedido de atuar como administrador ou conselheiro fiscal de companhias abertas por cinco anos.
João e Renata tentaram suspender os direitos políticos de Tini na incorporadora, mas a proposta foi derrotada em assembleia.
Em mais uma derrota, os Rossi depois foram acusados, junto com o ex-CEO Fernando Miziara, de fraude e desvio de imóveis. Os irmãos viraram alvo de uma ação de responsabilidade movida pela companhia e foram destituídos do conselho.
Com a disputa societária dominando a agenda da empresa nos últimos dois anos, os esforços para a recuperação das operações da Rossi foram ofuscados.
A companhia foi uma das primeiras da construção civil a abrir capital na bolsa brasileira, ainda nos anos 90. Mas tem atravessado uma crise financeira nos últimos anos que a levou à recuperação judicial em 2022, quando já somava mais de R$ 1 bilhão em dívidas.
Agora, o acordo de paz entre Tini e os fundadores deve criar um ambiente societário e institucional “mais favorável” à recuperação e retomada das atividades, segundo afirmou a Rossi em comunicado enviado ao mercado na noite de sexta-feira.
A companhia diz ainda que o fim do litígio permitirá uma economia “substancial” de recursos financeiros e humanos que impactavam a condução dos negócios.
Pelo acordo, a incorporadora vai desistir da ação de responsabilidade que movia contra João e Renata Rossi.
Os irmãos, por sua vez, concordaram em abrir mão de indenizações de até R$ 12 milhões que teriam direito em caso de derrota em processos cobertos pela Política de Indenidade da empresa.
Os termos também determinam que todas as partes desistam das ações que moviam sobre a realização ou não de uma OPA. Sobre esse tópico será mantida a decisão de uma assembleia realizada em novembro de 2024 que retirou a poison pill do estatuto social da companhia.
Para que o acordo seja válido, porém, os acionistas ainda devem ratificar a aprovação de contas e demonstrações financeiras de 2022 e 2023 e aprovar, sem reservas, os números dos últimos dois anos em uma assembleia marcada para amanhã.
A Rossi encerrou 2024 com um lucro líquido de R$ 85,3 milhões, queda de 66,7% em relação aos R$ 256,1 milhões reportados no ano anterior.
O endividamento bruto, por outro lado, cresceu na mesma base de comparação, passando de R$ 308,1 milhões para R$ 389 milhões.
Já a ação recua 21% nos últimos 12 meses, cotada em R$ 1,70. Hoje, a Rossi vale menos de R$ 35 milhões na Bolsa.







