A serra ainda separa Santos de São Paulo, mas a distância agora parece menor diante dos novos prédios de alto padrão da cidade litorânea.
Arquitetura assinada, espaços de wellness, academias tão equipadas quanto as de marcas grandes e até serviços de hotel começaram a entrar nos projetos santistas, numa leva de lançamentos que trouxe para o litoral elementos que já apareciam há mais tempo nos residenciais de luxo da capital.
“Santos deixou de concorrer com o próprio mercado local, e o principal foco está nesses empreendimentos que São Paulo oferece e no diferencial que anteriormente não tínhamos,” Marcelo Teixeira Filho, o CEO da incorporadora Santa Cecília, disse ao Metro Quadrado.

Depois da pandemia, as incorporadoras passaram a encontrar mais compradores atentos não só à localização e à metragem, mas também a quem desenhou o prédio, aos materiais usados, à tecnologia e ao que consegue fazer sem sair do condomínio.
O período também virou uma página na oferta de Santos, que havia passado boa parte da década anterior concentrada em apartamentos de 50 m² a 250 m² e com poucos apartamentos maiores no alto padrão.
Nos últimos três anos, esse produto voltou a aparecer com mais frequência e encontrou espaço para cobrar preços que até pouco tempo atrás destoavam do mercado santista.
O CEO da Santa Cecília lembra que, durante a pandemia, a incorporadora vendia apartamentos de cerca de 100 m² entre R$ 9,5 mil e R$ 11 mil o metro quadrado; hoje, já há empreendimentos cobrando entre R$ 16 mil e R$ 17 mil, e outros, de padrão superior, com preços entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.
“Valores como esses há cinco ou seis anos eram algo completamente surreal,” disse ele.
A cidade, porém, tem pouco território disponível para crescer, e mesmo nos bairros mais antigos os novos projetos dependem cada vez mais da compra de casas e edifícios vizinhos para formar terrenos grandes o suficiente para uma incorporação.
Essa falta de espaço ajudou a empurrar os novos projetos para áreas ocupadas só recentemente, como o bairro Ponta da Praia, onde ainda é mais fácil encontrar terrenos maiores do que em bairros tradicionais como Gonzaga e Embaré.
Segundo levantamento da Loft, a Ponta da Praia liderou a valorização da cidade entre 2025 e 2026, com alta de 15,2% no preço do metro quadrado, seguida por Gonzaga, com 13,7%, e José Menino, com 12,6%.
“A Ponta da Praia é um bairro que cresceu, desenvolveu e valorizou muito. É a menina dos olhos de Santos,” disse Maurício Meriqui, gerente comercial da Miramar Construtora.
Embora os prédios tenham ganhado referências de fora, quem sustenta a maior parte das vendas ainda é o comprador que mora em Santos ou mantém alguma ligação com a cidade.
Na Silamar, cerca de 60% dos clientes ainda são locais, enquanto os outros 40% vêm de São Paulo, entre estudantes, investidores e aposentados que querem viver perto do mar.
“Mas o volume de clientes que temos recebido de São Paulo tem aumentado, com pessoas interessadas na qualidade de vida ainda estando perto da capital. As redes sociais também ajudam muito que os empreendimentos cheguem a pessoas que não moram aqui,” disse Andressa Tau, gerente de Marketing da Silamar Construtora.
Já no último lançamento da Miramar, a incorporadora assinou contratos na China, Alemanha e Estados Unidos e também encontrou compradores em Campinas, Valinhos e cidades do ABC paulista.
Para a empresa, além de trazer soluções vistas em mercados maiores, Santos ainda tem uma vantagem geográfica em relação à capital.
“Estamos mais à frente porque temos praia,” disse Meriqui.




