Savassi atinge metro quadrado recorde em nova rodada de verticalização

Savassi atinge metro quadrado recorde em nova rodada de verticalização
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BELO HORIZONTE — Conhecida pelo movimento comercial de dia e pelos bares à noite, a região da Savassi está agora atraindo novos projetos residenciais que fizeram o metro quadrado disparar.

Uma recente mudança na lei de uso de ocupação do solo da cidade diminuiu restrições na área, e os incorporadoras estão lançando empreendimentos para surfar o apetite voraz dos belo-horizontinos por imóveis de altíssimo padrão – uma demanda capaz de absorver o aumento do custo de construção.

“Há apenas três anos, o preço do metro quadrado para empreendimentos premium no pedaço rondava os R$ 11 mil, R$ 12 mil. Hoje este valor está entre R$ 22 mil a R$ 26 mil,” Marcelo da Costa Borges, diretor da consultoria GPO Netimóveis, disse ao Metro Quadrado.

A busca é especialmente acirrada por produtos assinados e com uma vasta gama de amenities, como o Savassi Design by Pininfarina, uma parceria entre a incorporadora Sancruza e a construtora Terrazzas, com VGV estimado em R$ 250 milhões.

Inteiramente desenhado pela grife italiana e com comodidades que vão de sky bar a quadra de beach tennis, o empreendimento com previsão de entrega para 2030 tem o m² mais caro da história da cidade, chegando a R$ 42 mil – e já está todo reservado.

“Se os proprietários quiserem vender mais caro, eles conseguem, porque eu tenho demanda e não tenho mais apartamentos,” disse Evandro Negrão de Lima Jr, o presidente da Sancruza.

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Localizada entre dois bairros nobres, Lourdes e Funcionários, a Savassi se desenvolveu à mercê da demanda da alta sociedade. Nas décadas de 1960 e 1970 como um centro comercial a céu aberto e, posteriormente, um reduto empresarial, cultural e boêmio.

Em 1991, a Prefeitura oficializou a “Região da Savassi”, delimitando a área que depois viria a ser categorizada como bairro. Já em 2012, foi feita uma grande reforma na parte central – com a revitalização da Praça Diogo de Vasconcelos e a criação dos quarteirões fechados.

A maior mutação, no entanto, está em andamento. Com a aprovação do Plano Diretor de 2019, e sucessivas flexibilizações legislativas nos últimos três anos, a Savassi ganhou dezenas de prédios, perdeu boa parte do seu patrimônio histórico e alavancou o processo de gentrificação do bairro. 

Outra incorporadora ativa na Savassi é a Somattos, que lançou nos últimos anos três empreendimentos assinados pelo escritório Bernardo Farkasvölgyi Arquitetura.

O Epic Savassi (R. Antônio de Albuquerque, 760), com 100 apartamentos de 78 m² a 103 m² e focado em lifestyle, foi entregue em 2023 e integralmente vendido. 

Já o Hub Savassi (R. Fernandes Tourinho, 544), com 74 apartamentos de 99 m² a 157 m² para famílias, e o Flow (R. Antônio de Albuquerque, 290), com 114 apartamentos de 42 m² a 70 m² para jovens e investidores, estão em construção e já têm pelo menos 70% das unidades vendidas.

“O bairro é considerado o coração cultural, gastronômico e comercial de Belo Horizonte,” disse um executivo da Somattos. “A alta valorização imobiliária, a densidade urbana com comércio, restaurantes e serviços, e o fácil acesso às avenidas tornam a Savassi uma localização estratégica para morar e investir.”

Também estão em desenvolvimento na região: Soul Savassi, da Caparaó, na Rua Pernambuco, 909; Único, da Copam Engenharia, na Rua Levindo Lopes, 201; e Follow Savassi, de Belo Vale e Grupo Natus, na Av. Getúlio Vargas, 1676.

No segmento comercial, quem está dando as cartas é a Concreto Construtora.

Em 2023, a empresa inaugurou o Statement, um Triple A com 18 pavimentos e lajes corporativas de até 900 m² na Av. do Contorno, em frente ao shopping Pátio Savassi.

Alardeado como o maior lançamento comercial da região em décadas, o edifício foi um respiro à escassez de oferta de prédios corporativos em BH, e hoje é sede de grandes empresas de tecnologia, consultorias, multinacionais e bancos.

Agora, a Concreto trabalha em outro prédio corporativo a dois quarteirões do Statement e no coração do bairro, na Praça Diogo de Vasconcelos.

O novo empreendimento, batizado de Arthur Savassi, vai ocupar o lote onde a histórica Padaria Savassi, que deu nome à região, funcionou de 1939 a 1977.

O futuro edifício leva o nome do fundador da antiga loja e terá um memorial aberto ao público para homenagear a história do bairro.

Ainda sem data de entrega anunciada, o Arthur Savassi terá 20 andares, 17.200 m² de área construída e lajes para aluguel de cerca de 730 m².

O prédio tende a ser absorvido pela demanda reprimida de empresas que ainda estão tendo dificuldade para achar escritórios espaçosos na cidade. Em BH, a taxa de vacância é de menos de 3% para edifícios de alto padrão, segundo a CBRE.

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