Mercado de escritórios de Manhattan tem melhor ano desde 2000 – graças à AI

Mercado de escritórios de Manhattan tem melhor ano desde 2000 – graças à AI
Matheus Prado |

O mercado de escritórios de Manhattan está vivendo o seu ano mais aquecido do século.

De janeiro a maio, foram alugados 19,6 milhões de pés quadrados no borough de Nova York, 10% a mais do que no mesmo período de 2025 e no ritmo mais alto desde o auge da bolha do dot-com em 2000, mostram dados da Colliers.

Dessa vez, a culpa é do boom da inteligência artificial. 

San Francisco continua atraindo a maior parte das empresas de tecnologia do mundo, mas o crescimento da indústria de AI tem levado o setor de volta a Manhattan nos últimos meses. 

Empresas de tech foram responsáveis por 15% do volume total de locações realizadas na região no ano passado – acima dos 11% registrados em 2024 e no maior patamar desde 2019. 

Este ano a participação já superou os 16% apenas no primeiro tri, sendo que empresas de AI fecharam 56% dos contratos.

Foram cerca de 670 mil pés quadrados alugados de janeiro a março pelo nicho, o que representa 5,6% de todos os aluguéis de escritórios fechados em Manhattan (contra 1,9% em 2024), a Cushman & Wakefield disse ao The Wall Street Journal.

A participação ainda está distante da alcançada pelas empresas dot-com, que chegaram a ocupar 25% dos escritórios de Manhattan no início de 2000, mas firmas de AI em diferentes estágios de maturação estão pipocando rapidamente na Big Apple – e já começam a tomar conta de algumas zonas.

A região sul de Midtown, com sua vasta oferta de lofts, restaurantes e bares, continua sendo um grande foco de atração para empresas de tech, mas seus preços se tornaram proibitivos para muitas startups

Uma alternativa tem sido o SoHo, que passou a ser muito procurado por empresas de AI depois que a OpenAI alugou escritórios no histórico Puck Building em 2024.

Outro hub deve surgir próximo à Hudson Square nos próximos meses, onde a Anthropic está próxima de locar um espaço de 500 mil pés quadrados, disse o WSJ.

O aumento na procura fez o aluguel médio em Manhattan subir para US$ 77,76 por pé quadrado em maio, no seu maior patamar desde agosto de 2020; e o estoque de escritórios disponíveis caiu para 69,2 milhões de pés quadrados, no menor nível desde outubro de 2020, segundo a Colliers.

Para os proprietários, é tempo de aproveitar o momento favorável do mercado e negociar contratos de longa duração com essa nova classe de inquilinos – mas sempre mantendo o quebra-quebra de 2000 em mente.

O temor é que, com capital jorrando para startups de AI, alguns founders assumam espaços maiores do que precisam e do que conseguirão pagar no futuro, como ocorreu com várias empresas de internet na bolha do dot-com, disse o WSJ.

Já tem ocorrido, por exemplo, que parte dos escritórios alugados tenha áreas ociosas. Segundo a JLL, até 60% dos escritórios locados por startups de AI são maiores do que o necessário para o número de funcionários.

Apesar disso, os proprietários acreditam que as firmas de AI estão mais avançadas que as techs de 2000 em termos de geração de receita, e se dizem mais preparados para analisar a saúde financeira de uma empresa antes de fechar negócio.

Resta saber, então, se o avanço das aplicações de AI vai continuar impulsionando o mercado de lajes corporativas no longo prazo – ou se passará a pressioná-lo em algum momento.

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