O pacotão de imóveis que a Vivo quer vender em São Paulo

O pacotão de imóveis que a Vivo quer vender em São Paulo
Wesley Gonsalves |

Para a Vivo, a migração da rede de cobre para a fibra abriu a oportunidade de se desfazer de imóveis em São Paulo que perderam relevância operacional.

A gigante de telefonia reuniu uma cesta de antigas centrais telefônicas e vai colocá-la à venda, como parte de uma revisão do seu portfólio imobiliário.

Parte desses imóveis ociosos está localizada em áreas nobres da capital paulista, onde já há pouca disponibilidade de terrenos para novos empreendimentos ou projetos de retrofit, o que deve atrair os incorporadores e construtores da cidade.

O vice-presidente de inovação e regulatório da Vivo, Ricardo Hobbs, diz que essa estratégia só foi possível por causa da migração tecnológica em curso na companhia, que está substituindo a infraestrutura de cobre pela fibra óptica.

Segundo ele, a mudança reduz a necessidade de parte das antigas centrais telefônicas, permitindo a venda de imóveis capazes de gerar caixa para a empresa.

“A fibra tem uma eficiência tecnológica maior, o que nos permite uma compactação maior das chamadas centrais telefônicas. Nesse processo, desmobilizamos alguns ativos para comercialização,” disse.

Na primeira leva, a Vivo selecionou 47 imóveis, dos quais 80% estão em áreas nobres da capital paulista. A companhia espera levantar cerca de R$ 600 milhões nessa rodada.

Ao todo, a Vivo pretende vender cerca de 2 mil imóveis de antigas centrais telefônicas em etapas até 2028, com expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhão.

Anteriormente, a Vivo já havia levado ao mercado outras joias da casa, como o antigo prédio da Telefônica, na Rua Bela Cintra, que foi arrematado por R$ 250 milhões pela incorporadora Munir Abbud e a gestora WHG, no ano passado. 

Para conduzir as vendas, a empresa contratou a Cushman & Wakefield, que ficará responsável por estruturar processos competitivos (bids) e intermediar as negociações entre a companhia e investidores do mercado brasileiro.

Segundo Hobbs, o principal atrativo dessas antigas centrais está na localização. No passado, essas unidades precisavam estar instaladas em áreas centrais e de alta densidade populacional para garantir a qualidade da rede.

“Estamos em bairros como Itaim Bibi, Barra Funda e Chácara Santo Antônio, que hoje são regiões de grande interesse para o mercado imobiliário,” disse.

Segundo ele, cerca de um terço dos imóveis mais atrativos da companhia em São Paulo estão localizados em Zonas de Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEUs), que oferecem incentivos à incorporação e maior potencial construtivo.

“Esses terrenos podem receber desde empreendimentos residenciais até pequenos centros comerciais ou galpões logísticos de last mile,” disse.

Na primeira fase, a companhia pretende priorizar a venda dos imóveis de maior liquidez, concentrados em bairros valorizados da capital paulista.

Nas etapas seguintes, a estratégia será ampliada para outras regiões do País, à medida que a migração da rede de cobre para a fibra avançar e permitir a revisão do restante do portfólio.

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