No mercado de galpões, o interior de SP também está ‘pegando preço’

No mercado de galpões, o interior de SP também está ‘pegando preço’
Larissa Vitória |

A demanda por galpões no interior de São Paulo – destinados a operações last mile ou para CDs de apoio a centros maiores – já está se refletindo em preços maiores de locação.

Segundo um levantamento feito pela Colliers com base em dados do segundo tri, já há três praças do interior paulista com preço pedido médio acima de R$ 30 por mês, a média do estado.

E duas delas são novidades em relação ao tri anterior: Piracicaba e Campinas.

Enquanto Piracicaba (a cerca de 150 quilômetros da capital) registrou uma média de R$ 31,50, Campinas anotou R$ 30,90.

“São cidades com um nível de população que muitas vezes se equipara a capitais do Nordeste: são grandes e demandam um volume importante de suporte de galpões logísticos,” Ricardo Betancourt, CEO da Colliers, disse ao Metro Quadrado.

Piracicaba tem 313 mil habitantes e 6% de vacância. A absorção líquida foi de 25 mil m² no segundo tri, e a Colliers diz que, se esse ritmo se repetir no próximo trimestre, a vacância pode cair para 2%.

Outra praça do interior que já integrava a lista é Ribeirão Preto, com preço médio de R$ 37 por m². 

Localizada a 300 quilômetros da capital, a cidade tem um estoque de cerca de 230 mil m² de galpões e vacância quase zerada.

“Isso faz com que Ribeirão seja cada vez mais atrativa para novos empreendimentos. O interior, no geral, é uma região muito rica e industrializada também, então todas as grandes cidades acabam desenvolvendo um anel logístico próximo,” disse Betancourt.

Completam a lista outras praças mais tradicionais como Guarulhos – que registra a maior pedida do estado, com R$ 41,2 por m² –, a própria capital, o Grande ABC, Cajamar, Embu e Barueri.

O estado de São Paulo fechou o tri com uma vacância de 4%, a menor da série histórica, e a absorção superou em mais de duas vezes o volume de entregas – 432 mil m² absorvidos contra 175 mil m² entregues.

“Se o mercado continuar tomando área dessa forma, teoricamente vai faltar galpão,” disse o CEO da Colliers.

Em algumas áreas isso já pode ser sentido, como Guarulhos e o ABC, onde já não há imóveis para atender demandas entre 15 mil e 20 mil m².

A vacância em níveis tão baixos cria dois outros empecilhos: o estoque que sobra ou tem problemas de qualidade, ou está diluído em pequenas áreas em diversos galpões.

“Por mais que o espaço exista, ele não resolve a demanda. A maior prova disso é que estamos vendo muitas pré-locações de empreendimentos ainda em construção,” disse o CEO da Colliers.

A consultoria diz que, dos dez maiores empreendimentos em construção no estado, que somam cerca de 920 mil m², pelo menos seis já estão pré-locados.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir