O paradoxo de Embu: vacância alta em galpões, mas novos projetos chegando

O paradoxo de Embu: vacância alta em galpões, mas novos projetos chegando
Thaís Soares |

O mercado logístico de Embu de Artes reúne hoje duas características que, à primeira vista, parecem incompatíveis. 

A cidade, que fica no raio 30km de São Paulo, encerrou o segundo tri com a maior taxa de vacância do mercado logístico paulista, de 14,9%, mas continua entre as que mais recebem novos empreendimentos. 

Cerca de 258 mil metros quadrados estão em construção — volume inferior apenas ao de Cajamar e Guarulhos —, além de o mercado ter entregue outros 43 mil m² no segundo tri (também atrás apenas de Cajamar e Guarulhos), de acordo com dados da Cushman & Wakefield.

A explicação, segundo a consultoria, está na qualidade dos imóveis disponíveis. 

Embora Embu concentre o maior volume de espaços vagos do Estado, boa parte desse estoque é formada por galpões antigos, que já não atendem às necessidades das operações logísticas atuais. 

Enquanto esses empreendimentos demoram mais para encontrar ocupantes, os ativos mais modernos têm sido absorvidos rapidamente por empresas que buscam por espaços mais novos e atualizados. 

Características como capacidade de carga do piso, altura do pé-direito, áreas de manobra e infraestrutura para embarque e desembarque passaram a pesar mais na escolha dos ocupantes.

“Os quesitos técnicos acabam pesando mais na hora da locação, fazendo com que as empresas prefiram galpões mais caros, mesmo que imóveis mais antigos e com preços compatíveis estejam disponíveis,” Dennys Andrade, o head de pesquisa de mercado na Cushman & Wakefield, disse ao Metro Quadrado.

Essa dinâmica reflete um momento de maior seletividade do mercado logístico, cuja demanda continua forte e tem sido puxada principalmente por empresas de ecommerce, que exigem imóveis capazes de garantir maior eficiência operacional e velocidade nas entregas. 

Dessa forma, em vez de competir com os empreendimentos mais antigos, os novos galpões atendem a uma demanda diferente. 

O resultado é que, mesmo com a maior taxa de vacância do mercado paulista, Embu registrou absorção líquida positiva de 13,8 mil metros quadrados entre abril e junho, atrás de Guarulhos, Cajamar, Grande ABC e Campinas.

Além da proximidade com a capital, Embu ganhou competitividade logística com as melhorias na Régis Bittencourt (BR-116), um dos principais corredores de transporte de cargas do País. 

No segundo tri, o mercado de galpões do estado de São Paulo registrou 567,4 mil metros quadrados de novas locações e encerrou o período com absorção líquida de 453,8 mil metros quadrados, o maior volume trimestral desde meados de 2020. 

Guarulhos concentrou a maior absorção líquida do trimestre, seguido por Cajamar e o Grande ABC. A taxa de vacância do estado ficou em 3,89%, enquanto o preço médio pedido alcançou R$ 32,37 por m².

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