No Rio, a Ilha dos Caiçaras vai a leilão

No Rio, a Ilha dos Caiçaras vai a leilão
Thaís Soares |

Um dos clubes mais tradicionais do Rio se prepara para comprar a parte que lhe falta da ilha que ocupa na Lagoa Rodrigo de Freitas – um terreno que será leiloado pelo fundo de previdência do estado, o Rioprevidência.

O Clube dos Caiçaras já é dono de dois terços da Ilha dos Caiçaras, onde está instalado há quase 100 anos, e é inquilino do outro terço, sem uma divisão física entre as duas partes.

O lance mínimo é de R$ 23,3 milhões por um terreno de 11.341 metros quadrados. O leilão vai ocorrer no dia 15 de setembro e o Clube já separou o dinheiro para fazer o arremate.

É nesse pedaço que ficam cinco das sete quadras de tênis, os dois campos de futebol, quadras de areia, o redário, a bocha e parte da área náutica. 

Fundada por três famílias de Ipanema, o Clube dos Caiçaras ocupa a ilha desde os anos 1930, mas só se tornou dono da área original em 1960, quando pagou à Prefeitura do então Distrito Federal para ficar definitivamente com o terreno. 

O pedaço que agora vai a leilão surgiu depois, com um aterro feito pelo próprio Caiçaras, com autorização do Estado, que aumentou o tamanho da ilha. A nova área foi posteriormente doada ao Estado. 

Embora tenha ficado colado ao restante da propriedade, esse novo pedaço permaneceu nas mãos do poder público. O Caiçaras passou a ocupá-lo em 1981 e, desde então, paga pelo uso da área. 

A autorização para permanecer no terreno foi renovada pelo Rioprevidência em maio deste ano por mais 12 meses – um prazo bem menor do que o das anteriores, que costumavam ser de 10 anos. 

A possibilidade de comprar o terreno está no radar do clube há anos, que chegou a criar um fundo específico para uma eventual aquisição.

A expectativa dentro do clube é que a concorrência no leilão seja limitada pelo próprio perfil do terreno, considerado não edificante pela legislação. 

As construções que já existem podem permanecer, mas a área não pode receber um novo empreendimento. 

Para o Estado, a transformação desse patrimônio em dinheiro é um esforço para aliviar suas contas.

A alienação de imóveis do Rioprevidência está entre as medidas previstas no Regime de Recuperação Fiscal do Rio, enquanto o fundo, responsável pelo pagamento de boa parte dos servidores aposentados e pensionistas, opera com déficit e precisa manter recursos líquidos para cumprir suas obrigações.

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