SC supera SP na entrega de galpões. Está melhor para especulativos

SC supera SP na entrega de galpões. Está melhor para especulativos
Thaís Soares |

O mercado de galpões logísticos de Santa Catarina está tão acelerado que superou pela primeira vez o estado de São Paulo na entrega de novos empreendimentos.

Segundo dados da JLL, o mercado catarinense somou 277 mil m² de novos galpões no segundo tri, o maior volume do País, acima dos 191 mil m² de São Paulo, que costuma estar na frente.

O aumento das entregas reflete uma maior disposição dos desenvolvedores para projetos especulativos.

Como construir no litoral é mais caro pelas condições do solo, durante anos os aluguéis não foram suficientes para compensar o risco de erguer um galpão sem ter um ocupante garantido.

Por isso, o estado foi inicialmente um mercado de built-to-suit e pré-locações. Com a demanda maior provocada pelo ecommerce e os aluguéis em outro patamar, essa conta começou a mudar.

“Santa Catarina já está mais viável para fazer empreendimentos especulativos. Já existe demanda para isso, preço alto e o mercado já interiorizou esse preço,” André Romano, o gerente da divisão industrial e logística da JLL, disse ao Metro Quadrado.

Já em São Paulo, a escassez de terrenos bem localizados e o valor dessas áreas têm dificultado novos projetos especulativos e aumentado a preferência por empreendimentos com ocupação garantida.

Santa Catarina tem conseguido capturar parte da demanda do ecommerce com uma combinação de infraestrutura e custo. 

Além da expansão dos portos de Itajaí, Navegantes e Itapoá, o estado adotou regimes tributários que tornam mais atraente a entrada de mercadorias pelo território catarinense, com mecanismos que permitem postergar o recolhimento do ICMS na importação e, em determinadas operações, reduzir o preço do imposto.

Segundo Romano, o crescimento das importações de bens de consumo da China entrou nessa conta, sobretudo na última década.

No estoque total, Santa Catarina já começa a encostar no Rio de Janeiro – que hoje é o terceiro mercado, atrás de São Paulo e Minas Gerais.

O estado chegou a cerca de 2,4 milhões de m² de estoque, enquanto o Rio tem 3,1 milhões de m².

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