A tese de investimentos em hotelaria está de volta às mesas de negociações – e vem ganhando força entre os investidores no Brasil.
O avanço dos investimentos no setor foi um dos temas da segunda edição do Real Estate Summit, do Metro Quadrado, que reuniu alguns dos principais nomes do mercado imobiliário do País.
Para Abel Castro, CDO da Accor, o mercado de hotelaria está mais institucionalizado no pós-pandemia e deixou para trás a posição de ativo preterido em relação a setores como escritórios, logística e residencial.
“A hotelaria deixou de ser o patinho feio quando se falava nas classes de ativos,” ele disse.
Uma das barreiras para o setor – assim como para outros segmentos – tem sido o custo de capital e os juros altos no País, que dificultam a incorporação de greenfields.
Segundo Bruno Greve, sócio da HSI, ainda existem boas oportunidades em ativos que demandam retrofit e na aquisição de hotéis já em operação.
Hoje, 30% do portfólio da gestora está alocado no setor, que ainda vê espaço para novas aquisições. “Os drivers de demanda em hotelaria são estruturais. Nós vimos uma oportunidade e pisamos no acelerador dos investimentos,” ele disse.
Greve diz ainda que, diferentemente de outros setores, a hotelaria no Brasil não depende exclusivamente do crescimento da economia real, já que o desempenho do setor também é impulsionado pelo turismo internacional, que tem ajudado a sustentar a ocupação dos hotéis ao longo de todo o ano.
De olho nessa demanda, André Penazzi, CEO do Setai Grupo GP, da Paraíba, decidiu diversificar os investimentos da incorporação residencial tradicional para o segmento de hotelaria. “Nós estamos muito perto da Europa, a poucas horas de voo você pode jantar de frente para o mar.”
Com o avanço do turismo no Nordeste, o empresário viu a oportunidade de criar sua própria bandeira de hotéis voltada ao segmento de lazer. “Nós começamos na hotelaria para suprir uma demanda imediata que surgiu no pós-pandemia. Hoje, o Nordeste é o maior polo turístico do País,” ele disse.
No turismo de lazer ou corporativo, o atual momento da hotelaria no País também passa por uma diversificação geográfica.
Abel Castro, da Accor, diz que os investimentos já chegam a novos mercados, como o Sul e o Centro-Oeste, puxados especialmente pelo dinheiro do agronegócio brasileiro.
“O agro vem mudando a dinâmica de várias cidades. São os hóspedes que vêm por causa do agro para esses locais,” ele disse.
Para os três painelistas, depois do susto provocado pela pandemia, a hotelaria nacional entrou em uma nova fase, marcada pelo crescimento e pela entrada de cada vez mais capital no setor.
O Real Estate Summit teve o apoio da REdoor, Accor, Patria, Moura Dubeux, Lotus, Fibra Experts, Building Innovations, Central Capital, Syn Prop & Tech e Setai Grupo GP.




