Os shopping centers estão voltando a se valorizar nos Estados Unidos, contrariando a previsão feita na pandemia de que o setor caminhava para a morte certa.
O valor dos imóveis dos shoppings do país subiu 13% no último ano, segundo dados da consultoria Green Street repercutidos pelo The Wall Street Journal.
O percentual supera o de todos os outros dez segmentos comerciais analisados e também representa mais do que o dobro do aumento do preço de imóveis comerciais no geral.
A retomada dos shoppings é impulsionada pelas gerações mais jovens, que frequentam os espaços para comprar e socializar, e ocorre após o setor passar anos sob pressão.
A interrupção das atividades durante a pandemia prejudicou o fluxo de visitantes que já vinha decaindo com o fechamento de centenas de lojas de departamento e a popularização das compras online.
Cerca de 200 de shoppings encerraram as operações nos EUA desde 2008 e hoje há cerca de 900 em funcionamento, ainda de acordo com a Green Street.
Mas a escassez de nova oferta que antes preocupava agora ajuda a impulsionar a ocupação e os aluguéis, em contraste com o retorno pouco expressivo de segmentos rivais como escritórios e multifamily.
No mercado listado, por exemplo, as ações do Simon Property Group, maior proprietário de shopping centers dos EUA, superaram a máxima histórica pela primeira vez desde 2016 e superam a performance do S&P 500 nos últimos 12 meses.
A retomada é tão forte que atrai de volta até mesmo quem já tinha decidido deixar de vez esse mercado. A francesa Unibail-Rodamco-Westfield vai investir no segmento quatro anos após anunciar que deixaria o país.
A companhia planeja gastar quase US$ 1 bilhão para comprar a fatia de coproprietários em dois shoppings e assumir o controle dos empreendimentos.
“Observamos um tipo de aumento nos aluguéis que não víamos desde o início da década de 2010,” Vincent Rouget, diretor-presidente da URW, disse ao WSJ.
O executivo afirma ainda que o mercado dos EUA agora é considerado uma avenida de crescimento para a companhia, pois as vendas e o NOI crescem em ritmo superior à média do portfólio.
A melhora dos indicadores não está restrita aos trophy assets e já é sentida também no middle market.
O CBL Properties, um REIT que tem ativos nas regiões sudeste e centro-oeste dos EUA e chegou a ficar um ano sob proteção contra falência após a pandemia, viu um aumento no fluxo de visitantes e de vendas do seu portfólio em 2026.
As ações também sobem 48% no ano, e o REIT, que vendeu mais de uma dezena de imóveis desde 2013, voltou às compras e adquiriu cinco novas propriedades recentemente.
Mas, apesar da melhora operacional e do otimismo dos players, o valor dos shoppings está muito abaixo do pico registrado há uma década, e muitos investidores ainda estão céticos.
“Liberar o potencial do terreno é o verdadeiro valor do shopping. Sou cauteloso quanto a apostar na experiência de varejo como o principal diferencial,” disse Bob Neighoff, portfolio manager no Mariner Investment Group.




