Accor aposta no Ibis para suprir falta de hotéis nas cidades do agro

Accor aposta no Ibis para suprir falta de hotéis nas cidades do agro
Thaís Soares |

Com a pujança do agronegócio no Brasil, a Accor está incluindo cidades onde o setor é forte no seu pipeline de novos hotéis, a maioria para a marca Ibis.

A companhia já mapeou cerca de 100 municípios onde a oferta ainda é dominada por hotéis pequenos, que não acompanharam a expansão da economia local.

Dos 65 hotéis que estão no pipeline nos próximos anos, 26 são planejados para áreas do agro, o que significa que a rede em cidades com esse perfil deve dobrar.

Hoje, a Accor tem 30 hotéis, com 4,1 mil leitos no total, em lugares como Araguaína, no Tocantins, e Petrolina, em Pernambuco.

Já as novas unidades previstas incluem Sorriso e Sinop, em Mato Grosso, Barreiras, na Bahia, Rio Verde, em Goiás, e passam também pelo Matopiba – fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. 

“O agro trouxe ao mapa cidades que há até pouco tempo eram ignoradas pelo mercado,” Abel Castro, o CDO da Accor nas Américas, disse ao Metro Quadrado.

A empresa está focando em hotéis da marca Ibis por causa do perfil das pessoas que buscam as hospedagens, a maioria profissionais baseados em outros lugares que precisam estar perto dos produtores. 

São técnicos, consultores, funcionários de bancos, empresas de fomento e fornecedores de fertilizantes, que passaram a incluir esses municípios nas viagens de trabalho.

“O agro mudou a dinâmica dessas cidades. O PIB não se hospeda nos hotéis, quem se hospeda são as pessoas que vêm por causa do agro,” disse Castro.

Como a Accor é asset-light e não coloca dinheiro na construção dos hotéis, a expansão vem de investidores que bancam o imóvel e contratam a bandeira para operá-los ou entram no modelo de franquia.

Nas cidades do agro, esse investidor costuma ser um incorporador ou empresário local que divide o investimento entre vários sócios. 

Entre os donos de hotéis da rede há inclusive fazendeiros. 

Castro diz que o imóvel entra no patrimônio desses investidores como um ativo para geração de renda a longo prazo e diversificação do negócio que já concentra a riqueza da família.

O conhecimento local também ajuda a rede a chegar a mercados em que teria mais dificuldade de escolher sozinha o terreno e tocar a implantação. 

São esses sócios que conhecem os lotes disponíveis, os processos na prefeitura e as construtoras da região.

“As cidades estão crescendo muito com o agro, mas normalmente têm uma oferta muito limitada. E quando chega um Ibis, é uma revolução,” disse ele.

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