Bradesco turbina plano empresário para incentivar vendas na ponta

Bradesco turbina plano empresário para incentivar vendas na ponta
Wesley Gonsalves |

O Bradesco está ampliando o crédito às incorporadoras com o objetivo de aumentar também as concessões à pessoa física para compra de imóveis dos segmentos de média e alta renda.

O banco encerrou 2025 com uma carteira de R$ 37 bilhões no Plano Empresário, linha voltada ao financiamento da incorporação imobiliária, um crescimento de 31% em relação ao ano anterior.

Apesar dos juros altos restringirem a demanda na ponta, o Bradesco entende que ainda há um público disposto a comprar e que a oferta tem sido limitada.

“Apesar do cenário macroeconômico mais complexo, nós não vamos reduzir o nosso apetite de crédito para os incorporadores que já trabalham conosco,” disse o vice-presidente do Bradesco responsável pela área de real estate, José Ramos Rocha Neto.

O banco espera terminar o primeiro semestre com R$ 40 bilhões na carteira do Plano Empresário, o dobro do registrado cinco anos atrás – uma conta que não inclui o Minha Casa Minha Vida, nicho em que a instituição não atua.

“A linha do Plano Empresário ajuda muito a dar recursos para o incorporador tocar a obra, já que ela não financia o landbank, por exemplo.”

Diferentemente do financiamento para pessoa física, cujo prazo pode chegar a 30 anos, o ciclo dessa linha para incorporadores é de cerca de dois anos, o que permite reciclar o capital com mais frequência e reduzir a exposição ao risco, disse Rocha Neto.

Apesar da expansão das concessões, o executivo disse que o Bradesco não pretende liberar crédito “a mar aberto”, concentrando a originação em clientes que já mantêm relacionamento com o banco.

No Plano Empresário, a aprovação do financiamento passa por duas etapas. A primeira é uma análise técnica, que avalia a precificação, a tipologia do empreendimento e sua aderência à região onde será desenvolvido. A segunda é a análise de crédito da incorporadora.

Na avaliação do vice-presidente, ainda que o cenário futuro não seja o mais otimista para o segmento, hoje as incorporadoras estão muito menos alavancadas que no passado e com estruturas de landbank mais organizadas, além de possuírem uma visão mais seletiva para a escolha dos produtos que serão lançados.“Os empresários estão muito mais preocupados com esses aspectos,” disse o executivo.

Já em relação à pessoa física, o Bradesco avalia que o perfil mais patrimonialista do brasileiro continuará dando tração aos financiamentos, com uma intenção de compra que segue bastante resiliente do ponto de vista do consumidor final. 

Parte dessa avaliação está atrelada ao tempo médio de escoamento dos estoques, que, segundo a CBIC, era de 9,6 meses no primeiro trimestre do ano – um indicador visto como saudável pelo banco. “Estar com um estoque muito alto é um péssimo sinal para a indústria. Mas um estoque muito baixo provavelmente representaria uma demanda superaquecida, que é um sinal perigoso de que os preços estão subindo muito”, disse Rocha Neto.

O banco encerrou 2025 com um aumento de 11% na carteira de crédito para aquisição de imóveis por pessoas físicas, chegando a R$ 110 bilhões.

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