Tenda dobra lucro e eleva o guidance

Tenda dobra lucro e eleva o guidance
Wesley Gonsalves |

O lucro líquido da Tenda dobrou no segundo tri, num momento em que a companhia tem aumentado a sua exposição à Faixa 3 do Minha Casa Minha Vida, que oferece margens mais atrativas.

No período, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 179,1 milhões, um crescimento de 109% em relação ao mesmo período do ano passado e de 6% na comparação com o tri anterior.

O EBITDA ajustado, por sua vez, somou R$ 299,8 milhões, alta de 57,8% na comparação anual e de 5,8% em relação ao primeiro tri.

Com os resultados, a empresa revisou para cima o guidance para o lucro líquido e o Ebitda – uma mudança que os analistas já esperavam, dado que o primeiro tri também já havia sido positivo.

A projeção para o lucro passou para uma faixa entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões, ante uma estimativa anterior de R$ 520 milhões e R$ 600 milhões.

Para o EBITDA, o guidance agora vai de R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão, ante a faixa anterior de R$ 950 milhões a R$ 1,05 bilhão.

A companhia tem ampliado a Faixa 3 para deixar a sua operação mais diversificada entre as categorias do programa habitacional, e também pretende avançar na recém-criada Faixa 4, para a qual tem comprado terrenos.

“Imaginamos que, no futuro, as faixas 3 e 4 possam representar até um terço da nossa operação,” o CFO Luiz Maurício Garcia disse ao Metro Quadrado.

“Estamos em um momento muito favorável. O mercado imobiliário como um todo está desacelerando, enquanto nós continuamos a crescer,” disse o CFO.

A empresa também registrou recorde histórico de receita líquida consolidada trimestral. O indicador cresceu 30,1% na comparação anual e 8,9% em relação ao trimestre anterior, para R$ 1,29 bilhão.

O balanço veio em linha com as expectativas dos analistas, que já haviam revisado para cima suas projeções depois do bom primeiro tri.

Nos indicadores operacionais, os lançamentos somaram R$ 1,766 bilhão, crescimento de 59,1% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 20,8% frente ao trimestre anterior.

A Alea – vertical que há algum tempo tem sido o tendão de Aquiles da companhia – continua reduzindo seu consumo de caixa operacional.

No segundo tri, o indicador caiu para R$ 14,1 milhões, ante R$ 14,9 milhões no primeiro tri e R$ 39,1 milhões um ano antes. “Conseguimos reduzir o tamanho da operação para focar na verticalização das obras,” disse García. 

Este é o primeiro balanço que a Tenda publica depois que anunciou uma transição no comando da empresa, com a chegada em junho de Marcos Cruz para o posto de CEO. Rodrigo Osmo seguirá como co-CEO por 12 meses, para depois assumir uma cadeira no conselho.

Além de avançar nas faixas 3 e 4 do MCMV, a empresa tem apostado em uma expansão para geografias onde já atuou, como Curitiba com Tenda e Campinas com Alea, e aumentado os seus negócios em mercados onde já está presente – em vez de explorar novas cidades.

A ação da Tenda acumula valorização de 36% nos últimos 12 meses e de 8,46% no ano.

A Tenda vale R$ 3,9 bilhões na Bolsa.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir