O FGTS definiu o tamanho do orçamento que será destinado à habitação em 2027 e com isso interrompeu pela primeira vez em seis anos uma sequência de incrementos na verba.
A manutenção, no entanto, já era esperada pelas incorporadoras e não deve prejudicar o setor, pois o orçamento atual já é considerado elevado, tanto que os recursos de 2026 não devem ser consumidos totalmente.
O Conselho Curador do FGTS aprovou na semana passada a destinação de R$ 144,5 bilhões para o segmento em 2027, a mesma soma de 2026, dos quais R$ 140,5 bi são para o Minha Casa Minha Vida, e os outros R$ 4 bi para o financiamento imobiliário de trabalhadores com conta vinculada ao FGTS.
A decisão quebra uma sequência de altas iniciada em 2022, quando o FGTS reservou R$ 62,9 bilhões para a habitação. A cifra chegou aos três dígitos em 2024 e cresceu 130% durante o período.
Para os próximos três anos, a previsão é que o orçamento total da habitação recue para R$ 139,5 bilhões. Mas a verba para habitação popular seguirá no mesmo patamar.
“Essa manutenção para os próximos anos demonstra estabilidade, e é o que cabe dentro das regras de governança estabelecidas,” disse uma fonte a par das discussões no Conselho Curador do FGTS.
Até agora, o mercado consumiu 69% dos R$ 144,5 bilhões reservados para 2026, segundo dados do Secovi-SP que contemplam até 28 de outubro.
O percentual é um pouco maior, de 73,9%, quando considerado o montante destinado exclusivamente ao apoio à produção de habitação popular, que é o recurso efetivamente utilizado pelas incorporadoras para tocar as obras.
Mas o governo já remanejou R$ 4,5 bilhões destinados à classe média para dar uma folga maior nesta linha e garantir que não falte recursos no final do ano – época em que a execução tende a crescer.
“Muita gente estava apreensiva, mas agora não tem risco de faltar recurso. O que pode ocorrer, na verdade, é não se utilizar integralmente,” disse Luís Fernando Melo Mendes, consultor de economia do SECOVI-SP.
Há uma avaliação no mercado de que os recursos não estão sendo usados totalmente porque a demanda por moradia está esbarrando na falta de novos reajustes nas regras do Minha Casa Minha Vida, nos limites de renda e valor dos imóveis e nas taxas de juros.
O governo já fez alguns reajustes no ano passado e no início de 2026, mas a guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro, elevou os custos dos materiais ao longo deste ano, deixando as incorporadoras de mãos atadas, já que os compradores só podem aproveitar os subsídios até determinados valores.
Se o governo subir novamente o teto de renda e do valor dos imóveis, além de reduzir os juros, a demanda pode aumentar e, aí sim, viabilizar o uso de todo o orçamento do FGTS.




