A primeira grande incorporadora do MCMV a testar a locação social

A primeira grande incorporadora do MCMV a testar a locação social
Rafael Balago |

Avançando a passos lentos no Brasil, o aluguel social ganhou uma adesão de peso.

A Cury está se tornando a primeira grande incorporadora do Minha Casa Minha Vida a testar o modelo, encarando como uma nova forma de atender ao público de renda mais baixa, em um momento de alta dos juros e de aumento da rigidez para aprovar contratos via Minha Casa Minha Vida.

Esse primeiro teste envolverá 10 apartamentos em um empreendimento novo da Cury na Barra Funda, enquanto a maioria das experiências em locação social no Brasil envolve prédios antigos que passaram por retrofits, feitos por empresas de menor porte ou com uso de PPPs.

As unidades no projeto da Cury terão aluguel médio de R$ 500, em uma região onde a média de preço para este produto está entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, mesmo para moradias compactas.

Além do aluguel mais em conta, que não pode superar um terço da renda, as famílias terão apoio para procurar empregos melhores, bem como opções de estudo e benefícios sociais, muitas vezes desconhecidos desse público.

A expectativa é que, ao morar em uma área mais central e terem mais orientações, as pessoas possam melhorar de vida e, no futuro, inclusive se tornarem compradoras. 

Leonardo Mesquita, o co-CEO da Cury, diz que a empresa quer criar um case de sucesso que possa ajudar a locação social a ser escalável.

“Ainda não temos casos de sucesso que mostrem que a locação social possa coexistir com tudo que a gente produz,” ele disse ao Metro Quadrado. 

Para isso, o primeiro ponto será fazer com que o produto consiga se pagar. 

“Nosso objetivo é montar um ecossistema que sobreviva. Ainda nem falamos em rentabilidade, mas em ser autossustentável,” afirma. 

As famílias que poderão morar nas unidades serão escolhidas por organizações sociais, que trabalham em parceria com o Fundo Fica, entidade que já atua em locação social há 11 anos.

No projeto, chamado Confluência, a Cury doou os 10 apartamentos ao Instituto Cury, que serão geridos pela entidade e pelo Fica. 

Haverá prioridade para idosos, mães solo com crianças e jovens que deixaram abrigos após atingirem a maioridade.

Para Simone Gatti, diretora-presidente do Fica, a locação social é um caminho para que o mercado imobiliário ajude a reduzir a falta de moradia do País.

“Muita gente não consegue pagar o aluguel de mercado, cada vez mais caro, nem ter dinheiro para dar uma entrada e acessar o MCMV, que tem uma oferta restrita perante a demanda habitacional brasileira,” afirma ela.

Simone avalia que o mercado imobiliário terá ganhos com o modelo, se for bem executado. 

“É uma população economicamente ativa, que arca com os seus compromissos mensais e precisa de oferta,” afirma. 

O projeto na Barra Funda durará inicialmente três anos, e os contratos de aluguel terão 30 meses. 

“Temos de alcançar escala, mostrar que dá certo e é possível, para incentivar outras incorporadoras a fazerem o mesmo,” diz Simone. 

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