Falta terreno em Miami para dar conta da demanda por luxo

Falta terreno em Miami para dar conta da demanda por luxo
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A demanda por imóveis de luxo em Miami está tão aquecida que a oferta já está dando sinais de escassez.

Segundo a imobiliária de luxo Brosda & Bentley, o estoque de residências à venda na cidade está 16,7% abaixo dos níveis de novembro de 2019, antes do boom iniciado na pandemia.

O desequilíbrio é ainda maior em Coconut Grove, o bairro que mais tem atraído o interesse de bilionários, na costa oeste da Biscayne Bay.

Ugo Colombo, o CEO e fundador da incorporadora CMC Group, disse ao Metro Quadrado que “há muito poucas oportunidades restantes para construir diretamente” ao redor da baía, criando uma grande lista de compradores para qualquer novo empreendimento de frente para o mar.

O boom do mercado imobiliário de luxo de Miami no pós-pandemia é um dos maiores fenômenos do setor em todo mundo.

Até 2020, nenhum imóvel na cidade havia sido vendido por mais de US$ 50 milhões. Em 2021, foram apenas dois. Desde então, não parou mais de crescer.

A cidade despertou o interesse de novos compradores de alto padrão por sua qualidade de vida e pela presença de grandes empresas, mas há um fator que pesa mais que os outros: impostos.

A Flórida conta com uma das menores cargas tributárias do país e não cobra imposto de renda estadual, o que está atraindo novos moradores high-net worth, como Ken Griffin, o fundador da Citadel, Mark Zuckerberg, da Meta, e os dois fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page.

Ken Griffin, por exemplo, comprou em 2022 uma casa em Coconut Grove por US$ 106,9 milhões, recorde de Miami até então, e uma transação que foi o start de um movimento de elevação de preços na região.

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Parte desses empresários tem aproveitado o ambiente fiscal favorável para levar as sedes das suas empresas para a cidade, como ocorreu com a Citadel e a Palantir, atraindo também os seus funcionários. E companhias que já tinham presença em Miami estão expandindo as operações, como a Uber e a Meta.

Dados da Associação de Corretores de Imóveis de Miami mostraram que quem se mudou em 2024 para a Flórida de outros estados trouxe rendas mais altas do que a média estadual, a maioria vindo da Califórnia e de Nova York – onde a carga tributária é mais alta.

O Coconut Grove tem sido o destino preferido dos bilionários por ser uma área walkable que não atrai turistas – e também porque tinha espaço para novos projetos.

O bairro – uma região boêmia e de artistas durantes as décadas de 70, 80 e 90 – foi “esquecido” por décadas pelo mercado imobiliário, levando o seu desenvolvimento a ser mais lento do que em outras partes da cidade – um prato cheio para as construtoras em busca de terrenos em frente ao mar.  

“Compradores high-net worth estão priorizando cada vez mais privacidade, discrição e qualidade de vida em vez de ostentação,” David Martin, o CEO da imobiliária de alto padrão Terra Group, disse ao Metro Quadrado.

“O Grove oferece luxo discreto, proximidade a marinas, escolas de alto nível, parques e restaurantes, sem a agitação dos bairros mais comerciais, com uma atmosfera que ressoa em compradores que já possuem imóveis nas principais cidades do mundo.”

Martin foi um dos pioneiros da retomada de Coconut Grove. Em 2016 ele inaugurou o Grove at Grand Bay, assinado pelo arquiteto Bjarke Ingels, e foi tachado de maluco por investir naquela área. Em 2023 ele vendeu a própria cobertura no prédio por US$ 17,8 milhões.

A CMC Group também está investindo no bairro com a construção de um condomínio da marca Four Seasons. Os preços por unidade variam de US$ 5 milhões a US$ 16 milhões, excluindo duas coberturas, que devem ser vendidas juntas por US$ 120 milhões.

Entre 2019 e 2025 a valorização média dos imóveis na região foi de 205,8%, enquanto o aumento no preço médio de apartamentos foi de 93,5%, informou o The Wall Street Journal, citando dados da consultoria Miller Samuel.

“Aqui o público busca serenidade, vibração cultural, prestígio. Isso acaba atraindo muita gente de Nova York, Califórnia e Europa,” disse Vivi Wolak, corretora da ONE Sotheby ‘s International Realty.

Segundo ela, o comprador de imóveis em Coconut Grove não compra para investir ou especular o mercado, como acontece em Brickell, e sim por desejo.

“Por isso há muita demanda e muito pouco estoque. Virou um mercado super congestionado.”

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