O boom de obras de infraestrutura no País levou uma cidade com menos de 9 mil habitantes do Centro-Oeste a registrar a maior geração de empregos da construção no ano até agora.
Localizada no interior do Mato Grosso do Sul, Inocência gerou cerca de 4,6 mil vagas entre janeiro e agosto, segundo dados do novo Caged reunidos pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Em números absolutos, a cidade ficou em 7º lugar no ranking nacional, atrás das 15,7 mil vagas geradas em São Paulo, por exemplo, mas à frente de capitais como Brasília, Goiânia, São Luís e João Pessoa.
No cálculo relativo, que considera o número de novos postos gerados a cada 100 mil habitantes, Inocência salta para a primeira colocação com cerca de 1,6 vagas abertas para cada dez pessoas que vivem no município.
A forte geração de empregos na região é resultado de um investimento de US$ 4,6 bilhões da chilena Arauco para construir a primeira fábrica de celulose da companhia no Brasil – e a maior do mundo.
A companhia estima gerar mais de 14 mil postos de trabalho no pico da construção, prevista para terminar no fim de 2027.
“O projeto também está movimentando a construção de novas residências na cidade, provocando um maior dinamismo econômico de uma forma geral,” Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, disse em coletiva.
O impacto adicional para o mercado vem de um empreendimento de casas modulares encomendado pela própria Arauco para abrigar quem atua na construção da fábrica, pois Inocência não tinha infraestrutura necessária para receber o grande volume de trabalhadores.
Com tantos projetos de larga escala espalhados pelo País, a infraestrutura está superando as obras de edifícios na geração de empregos na construção civil em 2026, algo que só havia ocorrido em 2023.
Foram 79 mil postos criados de janeiro a agosto, contra 66,5 mil para os edifícios, segundo o Caged.
Tanto que, no ranking de geração relativa de vagas, a segunda e a terceira colocadas também são cidades pequenas impulsionadas por obras de infra: Santa Terezinha, no interior de Goiás, e Jaguarari, Bahia.
Para Vasconcelos, as obras são impulsionadas pela descentralização e aportes no interior, especialmente nos segmentos de linhas de transmissão, energia renovável e celulose.
“A infraestrutura vivencia um ciclo de expansão estrutural. Temos leilões e PPPs passados, projetos energéticos e um marco regulatório do saneamento que atraem investimento privado,” disse a economista.




