Era fevereiro de 2022 quando os novos donos do Nas Rocas chegaram à Ilha Rasa, a 700 metros da costa de Búzios, para reviver o hotel de luxo fechado há 24 anos, e encontraram um lugar parado no tempo.
A mata já havia avançado sobre a piscina e pelos caminhos. Dentro dos bangalôs, televisões de tubo ainda ocupavam os quartos, cortinas e quadros permaneciam nas paredes, assim como as louças nos armários.
“Quando estávamos fazendo a limpeza de uma área, achamos um barco no meio da mata. Cada dia é uma descoberta diferente,” disse ao Metro Quadrado Paulo Henrique Barbosa, CEO do Resid Club & Hotels, grupo que comprou o hotel.

Antes de virar terra dizimada, o Nas Rocas foi um dos endereços da Búzios badalada entre as décadas de 1980 e 1990.
Bono esteve por lá diversas vezes, Mick Jagger passou pelo endereço e Roberto Marinho era presença frequente nas feijoadas de domingo. A primeira versão de “Vale Tudo” levou suas câmeras para o hotel.
Agora, aquele pedaço de Búzios guardado desde 2002 começa a ganhar outra cara.
O Resid Club & Hotels está transformando a antiga estrutura em um projeto de mais de R$ 200 milhões com clube privado, hotel e vilas.
O Nas Rocas foi o primeiro projeto do Resid, criado no fim de 2021 por um grupo de sócios que inclui o chef Alex Atala.
Poucas semanas depois de a empresa nascer, o grupo comprou a ilha e começou a desenhar a recuperação do antigo hotel.
A empresa já realizou duas rodadas de captação com investidores para o projeto e pretende fazer uma terceira ainda este ano.
A primeira das cinco etapas do projeto acaba de ser inaugurada, com a abertura do clube. O restante do Nas Rocas ficará pronto aos poucos até 2031.
A parte do clube terá 500 memberships, mas os títulos chegam ao mercado em fases, no ritmo das entregas.
Os primeiros 150 foram colocados à venda em maio do ano passado por R$ 150 mil e esgotaram.
Outros 30 foram liberados antes da inauguração e uma nova leva de 50 começa a ser oferecida agora por R$ 300 mil.
O hotel terá 40 unidades e não exigirá a compra de um título para se hospedar, embora quem fizer parte do clube tenha prioridade nas reservas.
O projeto terá ainda 10 vilas vendidas a investidores, que serão donos dos imóveis, mas poderão colocá-los para serem alugados a turistas pelos operadores do hotel.
Sete das 10 vilas já foram vendidas e as primeiras unidades deste inventário devem ser entregues no fim de 2027.
A escolha pelo clube privado acompanha uma nova leva de projetos que começa a aparecer no Brasil, depois de décadas em que esse mercado ficou concentrado nos tradicionais clubes associativos.
Entre os exemplos mais recentes estão o São Paulo Surf Club, na capital paulista, o Carnaúba, no Ceará, e o Brasil Surf Club, que também escolheu Búzios para abrir um clube com piscina de ondas.
“O clube é uma tendência de mercado que a gente vê muito forte fora do País. Mas agora, depois de 50 anos, essa tendência chega aqui e nós queremos fazer parte disso,” disse Barbosa.
Para dar lugar ao novo projeto, os antigos bangalôs foram demolidos, mas parte do que saiu deles permaneceu na ilha.
Os resíduos de cimento e cerâmica foram triturados e reaproveitados na obra, enquanto tubulações de água e energia deixadas pelo antigo hotel estão sendo recuperadas.
O novo projeto terá taxa de ocupação de cerca de 5% da Ilha Rasa, abaixo dos 6,02% do antigo Nas Rocas, mas será maior em área construída.
Para fazer essa conta fechar, o Resid cresceu para cima, já que o zoneamento permite acrescentar um primeiro pavimento de até 30% da área do térreo, como uma espécie de mezanino.
Outros 100,7 mil m², equivalentes a 85% da ilha, serão mantidos como área preservada, e as novas construções ficarão concentradas onde já havia ocupação, na área que ainda guarda tantas lembranças.




