Os Estados Unidos vão sediar a maioria dos jogos da Copa do Mundo, mas estão atrás dos outros anfitriões – o Canadá e o México – nas reservas de hotéis.
Um levantamento feito pela plataforma CoStar e publicado pelo The Wall Street Journal mostrou que as cidades com os maiores níveis de ocupação na Copa são Vancouver e Guadalajara, com taxas de 48%.
Toronto, Cidade do México e Monterrey – as outras três cidades fora dos EUA que também receberão jogos – passam dos 40%.
Já nas 11 cidades-sede dos EUA, apenas São Francisco ultrapassa esse patamar, com 44%. Nova York, que receberá oito jogos, incluindo a final, tem ocupação de 39% durante o período do evento.
A análise da CoStar cobriu 14 das 16 cidades-sede.
O primeiro fator que explica discrepância é o preço das acomodações de curta temporada.
No México, as tarifas custam em torno de US$ 100 a diária, contra cerca de US$ 300 em Kansas City, Boston e Miami, segundo a CoStar. Como os ingressos já estão caros, atingindo valores recordes, os turistas estão priorizando as estadias mais baratas.
A incerteza política nos EUA também está pesando. Restrições de emissão de vistos, relatos de detenções em aeroportos e a percepção de um ambiente hostil a visitantes internacionais reduziram a demanda.
Quatro países participantes do torneio – Irã, Senegal, Costa do Marfim e Haiti – estão na lista de restrições de viagem do governo Trump.
As notícias mais recentes da Copa também não ajudam.
Principal árbitro da África, o somali Omar Artan teve sua entrada barrada nos EUA hoje apesar de ter um visto válido. Na semana passada, alguns torcedores escoceses tiveram suas permissões de viagem revogadas sem aviso prévio pelo governo americano, segundo a BBC.
Apesar dos problemas nos EUA, parte da baixa ocupação hoteleira também é atribuída à Fifa.
A entidade havia reservado um grande número de quartos em hotéis das cidades-sede, mas cancelou a maior parte meses antes do evento, provocando não só uma demanda artificial, mas afetando o planejamento dos hotéis.
Na Filadélfia, a associação local de hotéis relatou o cancelamento de cerca de 2 mil das 10 mil reservas que a Fifa havia feito na cidade.
A expectativa inicial era de um evento histórico para o setor.
Uma projeção feita pela CoStar com a Tourism Economics apontava para um aumento de 1,7% na receita por quarto disponível nos EUA em junho e julho deste ano, com alta de 12,7% nas cidades-sede. Mas a realidade ficou abaixo do esperado.
Dallas apresentou resultados mais sólidos, com maior demanda de grupos e estadias mais longas. Já em Seattle a ocupação de hotéis em junho está 7% abaixo do que foi no mesmo período do ano passado.
Ainda assim, o mercado hoteleiro não descarta uma virada. Dados históricos indicam que até 40% das reservas costumam ocorrer seis dias antes dos jogos.
Há também a expectativa que mais torcedores cheguem aos EUA durante a fase de mata-mata, quando boa parte dos jogos acontecerá no país.
"O que pode acontecer é que junho seja decepcionante e julho fique acima do esperado," disse Jan Freitag, diretor nacional de análise de mercado hoteleiro da CoStar.




