Depois de três trimestres de alta, a absorção líquida de galpões no estado de São Paulo recuou no período entre abril e junho – mas continuou acima do volume de novos empreendimentos entregues ao mercado, resultando em alta nos preços e queda na vacância.
Segundo dados da Newmark, a absorção líquida recuou 9,6% no segundo tri em relação ao tri anterior, para 452 mil metros quadrados, enquanto a entrega de novos galpões somou 188 mil m², refletindo uma oferta controlada no setor.
Nesse cenário, a vacância caiu para o menor nível da série histórica, para 5,1%, e levou o preço médio pedido de locação mensal a um novo recorde, de R$ 33,70, uma alta de 12% em 12 meses.
Na região metropolitana de São Paulo, o aluguel médio atingiu R$ 34,67 por metro quadrado, ante R$ 31,86 no resto do estado.
A demanda por galpões segue concentrada principalmente nas empresas ligadas ao ecommerce, que continuam ampliando suas operações e ocupando rapidamente os novos empreendimentos entregues ao mercado.
No varejo como um todo, o ecommerce concentra a maior parte das ocupações (63%), enquanto as lojas físicas respondem por 30% do espaço alugado.
"Hoje, o mercado de São Paulo vive um dos momentos mais competitivos da história. Havia uma demanda reprimida, porque tudo que vem sendo entregue de novo estoque já vem sendo absorvido,” Mariana Hanania, a head de pesquisa e inteligência de mercado na Newmark, disse ao Metro Quadrado.
Guarulhos, Barueri e o eixo do ABCDM concentraram os maiores aumentos de área ocupada no trimestre, acompanhando também as principais entregas de novos galpões.
Dos 1,4 milhão de m² previstos para entrega em 2026, 43% estão em Guarulhos, 21% em Cajamar e 14% na capital paulista.
A nova oferta, porém, não deve aliviar significativamente a escassez de espaços disponíveis.
A Newmark estima que entre 60% e 70% desse pipeline já chega ao mercado pré-locado, o que diminui a disponibilidade de novos espaços.
A consultoria espera que a vacância continue em níveis historicamente baixos até o fim deste ano, embora possa registrar uma leve alta em relação ao patamar atual.
Uma mudança mais relevante na relação entre oferta e demanda deve ocorrer apenas quando uma nova leva de empreendimentos prevista para 2027 começar a ser entregue.
O Mercado Livre, por exemplo, o maior ocupante, estima investir R$ 60 bi neste ano, o que já é 50% a mais do que investiu em 2025, calcula a Newmark.
“Não dá para pensar em puxar o freio ou em alguma queda mais brusca nessa demanda no curto e médio prazo,” disse Mariana.




